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06/10/2015
RH » Recrutamento e Seleção » Entrevista Enviar Comentar Compartilhar Imprimir

Deficientes qualificam-se e conquistam melhores oportunidades

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br

Desde 1991, quando a Lei nº 8.213 passou a vigorar, as pessoas deficientes viram suas esperanças renovarem-se frente à possibilidade de conquistarem uma oportunidade no mercado de trabalho. Isso porque, a conhecida Lei de Cotas passou determinar que empresas com 100 ou mais funcionários preenchessem de dois a cinco por cento dos seus cargos com beneficiários reabilitados ou pessoas portadoras de deficiência. De lá para cá, mais de duas décadas já se passaram e muitas organizações ainda afirmam que sentem dificuldade de localizar e, por sua vez, contratar pessoas deficientes que sejam capazes atender às expectativas dos cargos que são disponibilizados para elas.
Para falar sobre a dificuldade que o mercado ainda sente em captar esses profissionais, o site RH.com.br entrevistou Simone Nogueira, gerente da Page PCD - unidade de negócios da Page Personnel, especializada em Recrutamento & Seleção de pessoas com deficiências para vagas corporativas. "As organizações ainda encontram dificuldades para contratar pessoas deficientes. Porém, essa dificuldade é menor do que acontecia há cinco, dez ou quinze anos, pois as pessoas com deficiência estão especializando-se cada vez mais", sinaliza a especialista, ao acrescentar que atualmente as empresas não estão oferecendo somente vagas operacionais ou vagas administrativas com atividades simples, mas também buscam pessoas com deficiência para ocupar as vagas mais qualificadas. Leia a entrevista na íntegra e confira, ainda, como conduzir uma seleção para pessoas deficientes sem que o processo deixe a desejar, seja em relação às expectativas dos profissionais como em relação às necessidades de qualquer organização.


RH.com.br - Apesar da Lei de Cotas ter sido instituída desde 1991, ainda encontramos empresas que não conseguem cumprir a meta para contratar profissionais deficientes. Qual a justificativa mais comum que as organizações apresentam em relação a esse fato?
Simone Nogueira - A principal justificativa é a dificuldade em localizar candidatos qualificados para as posições nas áreas corporativas e o nosso papel é mostrar que existem esses candidatos, que estão cada vez mais se especializando e auxiliar as empresas nesse processo desafiador de inclusão e cumprimento da cota.

RH - Se as empresas afirmam que não conseguem captar esses talentos, como fica a situação de quem está do outro lado, à procura e uma oportunidade no mercado?
Simone Nogueira - Ainda existem dificuldades, mas é menor do que cinco, dez ou quinze anos atrás, pois as pessoas com deficiência estão especializando-se cada vez mais através de ensino superior, cursos de idiomas, pacote Office, cursos técnicos, entre outros, e as empresas não estão oferecendo somente vagas operacionais ou vagas administrativas com atividades simples. As empresas estão buscando pessoas com deficiência também para as vagas mais qualificadas. O papel da Page PCD, por exemplo, é auxiliar os candidatos a participar dos processos seletivos nessas empresas que oferecem oportunidades melhores, facilitando assim a inclusão no mercado de trabalho e recolocações.

RH - No Brasil, qual o ramo que mais emprega pessoas deficientes?
Simone Nogueira - Atualmente, destacam-se os setores bancário, financeiro e industrial. São esses que mais absorvem profissionais com deficiência.

RH - Qual o primeiro passo a ser dado por uma empresa que queira realizar um processo de seleção para portadores de deficiência?
Simone Nogueira - Entender que a pessoa com deficiência tem a mesma importância que a pessoa que não possui deficiência, que o tratamento durante o processo seletivo e no dia a dia na empresa deve ser igual para todos.

RH -
Dado o "primeiro passo", quais as etapas seguintes e que são consideradas fundamentais a um processo seletivo - direcionado a pessoas com deficiência?
Simone Nogueira - Podemos destacar as seguintes fases: preparação do departamento de RH e dos gestores, através de sensibilização para mostrar a importância da inclusão e cumprimento da lei de cotas e preparação do ambiente de trabalho, para que quem a pessoa deficiente que chega à organização tenha acessibilidade.

RH - O líder da área contratante deve acompanhar o processo de seleção?
Simone Nogueira - É importante acompanhar para conhecer os candidatos que irá entrevistar, verificar o potencial e o perfil de cada um e para se familiarizar com os tipos de deficiências que cada candidato apresenta.

RH - O que nunca deve acontecer em um processo de seleção para pessoas deficientes?
Simone Nogueira - Deixar que a deficiência interfira na avaliação do potencial, do perfil técnico e do comportamental dos candidatos.

RH - Um processo seletivo direcionado a deficientes possui peculiaridades ou não?
Simone Nogueira - Sim, possui porque é necessário verificar se a deficiência enquadra-se na Lei de Cotas - através da análise do laudo médico e exame com o médico da empresa - e identificar se o candidato necessita de adaptações no ambiente de trabalho. Se precisar será necessário comunicar as áreas responsáveis da empresa para preparar o ambiente para o dia do processo seletivo e posteriormente, caso haja a contratação, preparar o ambiente de trabalho.


RH -
Como deve acontecer o processo de integração do deficiente que é contratado por uma empresa?
Simone Nogueira - A recomendação é preparar o ambiente de trabalho com as adaptações que cada profissional necessitar, preparar o time e o gestor através de sensibilizações, para que não haja tratamento diferenciado que gere a exclusão ao invés da inclusão desse profissional. Por exemplo: a equipe jogará uma partida de futebol após o horário de trabalho, todos têm que estar preparados e saber que podem convidar um colaborador que não tem uma perna para jogar, ao invés de não fazer o convite e automaticamente excluí-lo sem saber se ele aceitará ir.


RH - Em relação aos pares que conviverão com esse profissional, como se deve preparar o time para receber esses talentos especiais?
Simone Nogueira - É necessário sensibilizar a equipe para mostrar que o profissional que irá integrar o time, não deverá ter tratamento diferenciado, que merece respeito e que jamais poderá ser excluído de qualquer atividade seja no ambiente de trabalho ou fora dele.


RH - Que contribuição efetiva a área de RH pode dar, para que o processo de seleção de uma pessoa deficiente tenha êxito?
Simone Nogueira - Trabalhar em conjunto com o gestor, auxiliar em todas as dúvidas que ele tenha sobre as deficiências, mostrar o potencial que o candidato possui e principalmente esclarecer dúvidas de como ele irá lidar com esse profissional no dia a dia, pois normalmente os gestores que não passaram pela etapa de sensibilização têm muitas dúvidas. Por exemplo: posso atribuir as mesmas atividades que atribuo para os outros colaboradores? Posso estipular a mesma meta? E em muitos acabam não contratando por esse motivo.

 

Palavras-chave: | Simone Nogueira | portador de necessidade especial | captação | talento |

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