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15/03/2016
RH » Qualidade de Vida » Entrevista Enviar Comentar Compartilhar Imprimir

Como realizar um “diagnóstico” da qualidade de vida no trabalho?

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br

Qualidade de Vida no Trabalho. Cada vez mais, esse assunto tem despertado a atenção no campo corporativo, tanto sob o prisma dos dirigentes organizacionais quanto dos profissionais que precisam apresentar uma entrega diferenciada e resultados expressivos para o negócio. E isso não é por acaso, afinal inúmeras pesquisas já comprovaram que a QVT interfere diretamente em vários fatores como, por exemplo, produtividade, satisfação interna, índices de acidente no trabalho, rotatividade, entre tantos outros fatores que impactam na vida das empresas e obviamente das pessoas. Mas, será que é possível ter um diagnóstico de como está a Qualidade de Vida no Trabalho? Para Marcelo Boog, sócio e diretor do Sistema Boog de Consultoria, a resposta é afirmativa e ele cita como exemplo a Pesquisa sobre Qualidade de Vida no Trabalho - uma metodologia que analisa de forma integrada aas dimensões Biológicas, Psicológicas, Sociais e Organizacionais (BPSO). "A Pesquisa de QVT trará uma série de informações sobre as percepções existentes acerca dos temas abordados. Com base nestas informações a organização pode tomar decisões: é a Gestão da Qualidade de Vida no Trabalho. Usualmente, são desenvolvidos programas que visam melhorar o bem-estar ou reduzir o mal-estar, também conhecido como estresse", esclarece.
Em entrevista concedida ao site RH.com.br, Marcelo Boog aprofunda-se na importância de se realizar a Pesquisa de QVT e cita quais as etapas desse processo, bem como os benefícios que podem ser obtidos a partir dessa ação. Marcelo Boog é um dos palestrantes da 10ª edição do ConviRH (Congresso Virtual de Recursos Humanos) - evento promovido pelo site RH.com.br, que acontece no período de 12 a 27 de Maio de 2016. Na oportunidade, Boog ministrará uma palestra em vídeo sobre Gestão de Times Eficazes. Confira a entrevista na íntegra e aproveite a leitura!


RH.com.br - Em que consiste a Pesquisa de Qualidade de Vida no Trabalho?
Marcelo Boog - As condições de trabalho nas quais os colaboradores estão inseridos influenciam diretamente na qualidade de seus trabalhos e nas suas produtividades. Em geral, para a maioria das pessoas, quanto melhor for a qualidade do meio, mais e melhor produzem, contribuindo assim para bons produtos e serviços, maximizando o retorno para seus empregadores e para o encantamento dos clientes. Um detalhe importante é que este retorno se dá em função da percepção do meio. Assim, não basta ter um bom ambiente na ótica dos empregadores, mas é preciso que os colaboradores percebam positivamente este ambiente. A percepção sobre Qualidade de Vida no Trabalho faz parte desta ambiência organizacional. Pesquisar QVT é mensurar estas percepções em todo o público interno da organização.

RH - Quais seus principais objetivos dessa metodologia?
Marcelo Boog - A Pesquisa sobre Qualidade de Vida no Trabalho utiliza uma metodologia com análise integrada das dimensões Biológicas, Psicológicas, Sociais e Organizacionais (BPSO). Assim, informações sobre cada uma destas dimensões são levantadas e organizadas. Existe um foco bastante importante na saúde física (dimensão biológica) dos colaboradores. A Pesquisa de QVT trará uma série de informações sobre as percepções existentes acerca dos temas abordados. Com base nestas informações a organização pode tomar decisões: é a Gestão da Qualidade de Vida no Trabalho. Usualmente, são desenvolvidos programas que visam melhorar o bem-estar ou reduzir o mal-estar - também conhecido como estresse.

RH - Qual o perfil de empresa que deve aplicar a Pesquisa de Qualidade de Vida no Trabalho?
Marcelo Boog - Não existe um perfil claramente delineado ou uma regra determinante para aplicar ou não um trabalho desta natureza. Em geral são empresas privadas de médio e grande porte, mas também verificamos em alguns casos a aplicação desta ferramenta em organizações públicas. Um ponto comum é o legítimo querer em desenvolver um ambiente saudável para o trabalho. Utilizo as palavras "legítimo querer" como algo realmente importante na prática, não apenas no discurso. Este "querer" é o que realmente sustenta todo o programa de Gestão da Qualidade de Vida no Trabalho. Quando o "querer" é apenas um discurso está mais para "dever".

RH - Em que momento da organização essa ferramenta deve ser utilizada e qual a periodicidade recomendada?
Marcelo Boog - Antes de pesquisar é importante que exista um Programa de QVT, ainda que informalmente ou mesmo com outro nome, para então mensurar as percepções. Por exemplo, ações que a organização faça para promover a saúde dos colaboradores (dimensão biológica) podem ser consideradas como parte do programa, como ginástica laboral, campanha de vacinação, exames médicos, alimentação saudável. Da mesma forma, ações como condições ergonômicas e infraestrutura (dimensão organizacional). Uma Pesquisa também pode servir para mensurar as expectativas sobre a Qualidade de Vida. Quanto à periodicidade, esta também pode variar. Um bom exemplo é realizar a pesquisa uma vez a cada dois anos - ciclo de tempo saudável para ter os resultados, planejar, decidir, implantar e realizar ações de desenvolvimento.

RH - A área de Recursos Humanos deve estar à frente da aplicação da Pesquisa de Qualidade de Vida no Trabalho ou essa ação deve ser realizada em parceria?
Marcelo Boog - Isto depende da estrutura de cada organização. É muito comum que a área de Qualidade de Vida, quando formalmente existente, seja subordinada à diretoria de Recursos Humanos. Este é o mais usual pela natureza dos temas pesquisados. A área de RH pode organizar e aplicar de forma independente, sem apoio de parceiros externos, a Pesquisa de Qualidade de Vida no Trabalho, desde que existam elementos que garantam consistência da metodologia, de saber "O que" e "Como" perguntar e também "O que fazer" com os resultados, além de mecanismos que assegurem ao respondente a total isenção e confidencialidade. Muitas vezes já vivenciamos, em nossa experiência de mais de 30 anos de consultoria organizacional, situações em que o cliente obteve um "falso diagnóstico", por aplicar pesquisas de forma autônoma, sem poder dar garantia de confidencialidade. Também já nos deparamos com perguntas colocadas que pouco agregam de valor ao diagnóstico. Nesses casos, por medo de serem potencialmente identificados, muitos colaboradores tendem a dar respostas "mais positivas", ou "politicamente corretas", mas que nem sempre coincidem com a realidade. O apoio de uma consultoria externa minimiza este risco, não apenas por garantir isenção e confidencialidade - exemplo: base de dados é externa a organização -, mas também com know-how.

RH - Qual o primeiro passo a ser dado, para que a Pesquisa de Qualidade de Vida no Trabalho saia do "papel e chegue à prática"?
Marcelo Boog - Como mencionei anteriormente o "querer" Qualidade de Vida no Trabalho. Em seguida a existência de programas ou ações que valorizem os colaboradores em todas as suas dimensões (BPSO), ainda que não formalmente estruturadas. É importante destacar alguns benefícios que estes programas podem trazer como, por exemplo, diminuição do absenteísmos e afastamentos por motivo de saúde, conhecer os principais pontos de atenção quanto à saúde física, psicológica e social dos colaboradores, proporcionar maior produtividade e qualidade nos produtos e serviços oferecidos e melhorar os ambientes, as condições de trabalho.

RH - Quais são as principais fases dessa metodologia?
Marcelo Boog - Objetivamente são: - Planejamento: definição do escopo, definição do conteúdo a ser consultado, definição das quebras e segmentações a serem observadas, definição de logística da aplicação, do cronograma e dos responsáveis. Na sequência: - Divulgação: todas as pessoas devem receber informações prévias sobre a realização da Pesquisa de QVT e saberem que as respostas são confidenciais, para que sejam 100% transparentes e verdadeiras. Logo depois: - Aplicação da PQV, aonde acontece a aplicação dos formulários. Eventualmente, também acontece a aplicação de entrevistas qualitativas em grupos focais. Outra etapa compreende a obtenção dos resultados, através da elaboração da tabulação e da avaliação das conclusões. Finalmente, chegamos às ações, em função dos resultados e da elaboração do plano de ações.

RH - A partir dos resultados obtidos através da Pesquisa de Qualidade de Vida no Trabalho, que ações a empresa pode adotar para melhorar sua gestão?
Marcelo Boog - Isto dependerá dos resultados e daquilo que a organização já oferece como inventário. Algumas possibilidades: campanha de vacinação antigripal; ginástica laboral; controle de riscos ergonômicos e ambientais; valorização da atividade física / construção de um bicicletário / criação de grupos de corrida / estímulo à prática de esportes; convênio médico / odontológico; exames médicos; desenvolvimento do clima organizacional; reconhecimento e recompensa; desenvolvimento profissional / disponibilização de bolsas de estudos; convênios; condições ergonômicas, instalações / segurança / mobiliário / iluminação / ventilação; campanha antitabagismo; orientação nutricional / reeducação alimentar. Em paralelo com isso, a empresa deve focar na atuação dos gestores, que verdadeiramente constroem ou destroem o clima e a Qualidade de Vida no Trabalho.

RH - Quais os benefícios que a PQVT pode proporcionar a uma empresa e, consequentemente, aos seus profissionais?
Marcelo Boog - A pesquisa é o instrumento de mensuração das percepções acerca da QVT. Colocar em prática as ações é desenvolver o ambiente para que cada colaborador possa efetivamente dar o máximo de si, contribuindo para o sucesso da organização. Para o colaborador é sentir-se realizado pessoal e profissionalmente, é fazer o que gosta, em paz e bem disposto, com saúde e confiança. A Gestão da Qualidade de Vida não é responsabilidade apenas de uma área ou de uma ação do RH. É uma responsabilidade compartilhada por toda a organização e assim as lideranças têm um papel importantíssimo.

RH - O que o senhor diria àqueles dirigentes organizacionais que ainda relutam em se preocupar e efetivar ações focadas na qualidade de vida no trabalho?
Marcelo Boog - Já ouvi argumentos para não fazer qualquer investimento nestas áreas, como "crise" ou falta de verba - não apenas para QVT, mas também para outras iniciativas da área de RH. A preocupação é quase sempre financeira. Por exemplo: quanto custa um programa de ginástica laboral - não apenas nos profissionais diretamente envolvidos, mas também no salário dos profissionais que, durante seus expedientes, estão fazendo ginástica -? Diria para refletirem também na mesma ótica: quanto custa para a organização contar com pessoas estressadas, doentes e que faltam aos expedientes? Pessoas mal-humoradas, que não se empenham, que estão muitas vezes indispostas, que fazem apenas o aceitável, que trabalham apenas o suficiente para não serem demitidas, sem grandes esforços, sem fazer a diferença, com baixa motivação, com baixa qualidade, com baixa performance. Quanto custa isso tudo? Será que o investimento em QVT é tão caro assim? Parece-me altamente estratégico o investimento nesta área.

 

Palavras-chave: | ConviRH | Marcelo Boog | qualidade de vida no trabalho |

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