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07/12/2015
RH » Qualidade de Vida » Artigo Enviar Comentar Compartilhar Imprimir

Para quem temos trabalhado tanto?

Por Maria Duz para o RH.com.br

Para muito antes da nossa geração já havia sido estipulado que teríamos que viver em sociedade, do modo como a conhecemos. Cada um, conforme suas habilidades - ou oportunidades - faz alguma coisa para os demais em troca do valor atribuído a sua contribuição e assim, o padrão social flui e influi em nossas vidas.

Sendo assim, trabalhamos pela sobrevivência (dinheiro), sustento (dinheiro), poder aquisitivo (dinheiro), ocupação (status), utilidade (status), papel na sociedade (status) e, às vezes, simplesmente por gostar do que se faz. Este último, infelizmente, não é a realidade da maioria e também não é muito frequente no mundo corporativo. Parece que o equivocado clichê do "fazer o que se ama" é constantemente associado às áreas artísticas, de criação e de tudo o que permite fugir do caos, como abrir uma pequena pousada em um local paradisíaco.

Quem opta por conviver com o estresse do mundo dos negócios, evidentemente está direcionado ao padrão de vida que deseja (dinheiro e status). Se ninguém estivesse preocupado com isso, porém, não teríamos evoluído tanto - tecnologicamente, é claro. Talvez vivêssemos ainda de escambo e as possibilidades trazidas com a Globalização seriam um sonho distante.

A parte positiva dessa história é que o trabalho, mesmo não sendo o emprego dos sonhos, pode proporcionar a vida dos sonhos. Claro que isso tem um preço. Mas se ao invés de apenas contar os dias para as férias pudéssemos encarar a rotina de forma menos opressiva? Provavelmente a sensação de liberdade não seria interrompida - no mínimo - oito horas por dia (40 horas por semana e, em média, 160 horas por mês).

Enquanto os livros de autoajuda sugerem que é possível adotar uma atitude positiva em relação ao que vai continuar nos incomodando, ou que devemos jogar tudo para o alto para "fazer o que amamos" - embora poucos saibam de verdade o que amam - penso que pouparíamos muito sofrimento se, sem ter que abandonar o mundo corporativo, trabalhássemos para um produto com o qual nos identificamos.

Pode-se trabalhar em qualquer área de apoio de uma empresa de Engenharia, por exemplo, mas se existe a Admiração de que coisas sejam construídas e a imagem de que isso contribui com o crescimento do mundo, coopera-se indiretamente mesmo não sendo engenheiro. Pode-se gostar muito de ler e trabalhar na parte administrativa de uma editora, de modo que o assunto sobre o qual se é obrigado a ouvir dia após dia ao menos é algo interessante. Pode-se trabalhar para a fábrica que produz aquele chocolate que você adora, os artigos de futebol do seu time ou o brinquedo do seu filho, de modo que você faça, agradeça e até exiba para as visitas.

Ou melhor, se nos identificássemos com a cultura organizacional e com o modo com que a empresa responde à ética e à responsabilidade social?

Pode-se exercer uma atividade aparentemente sem muito valor em relação ao produto final de uma grande empresa, mas se a mesma tem iniciativas sociais e cumpre com programas ambientais, socialmente isso agrega valor à contribuição. Pode-se fazer a limpeza do chão por onde passa o dono de um pequeno escritório, mas se ele tem o hábito de cumprimentar diariamente e a delicadeza de conversar de vez em quando, ao menos enquanto espera o elevador, ele recebe um esforço extra.

Exemplos certeiros ou não... É fato que é mais fácil sentirmo-nos motivados todas as manhãs quando trabalhamos em um lugar do qual não temos vergonha de contar para os vizinhos. Que não esteja estampado na capa de revistas e em jornais como agente de ilegalidades. Onde os administradores são justos e respeitam os direitos trabalhistas. Onde existe um plano de carreira. Onde a liderança motive, desenvolva e respeite. Melhor ainda quando podem oferecer benefícios extras, aqueles que a lei não obriga a conceder, demonstrando que valorizam o ativo mais valioso da organização.

Nem sempre é possível escolher onde iremos trabalhar, principalmente em épocas de pouca oferta de emprego. Mas da mesma forma que criticamos quando há falta de planejamento dos dirigentes das nossas empresas, deveríamos criticar nossa própria falta de planejamento profissional e nossa intrínseca tendência ao comodismo.

Podemos pesquisar e oferecer prioritariamente nosso currículo e boa vontade para as empresas das quais gostaríamos de fazer parte, seja no início da carreira ou na busca por recolocação profissional. Enquanto aguardamos, buscar o aprimoramento que pode fazer a diferença. E escolher insistir naquelas que, depois do esforço despendido para estudar, se aperfeiçoar e adquirir experiência... Nos mereçam.

Refiro-me às organizações que, mesmo não estando nas revistas de renome como parte dos dez, 50 ou 100 melhores lugares para trabalhar, simplesmente ofereçam o que necessitamos e façam-nos sentir bem, de modo que trabalhemos "por nós e não somente para os outros".

Pois se precisamos trabalhar, que ao menos exista algum orgulho em fazê-lo. Ou será que isso ainda é um sonho distante?

 

Palavras-chave: | qualidade de vida no trabalho | competência | relacionamento interpessoal |

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