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28/10/2015
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Dependência química e trabalho

Por Lilian Cristina de Almeida para o RH.com.br

É comum encontrarmos decisões em que a dispensa por justa causa com fundamento na embriaguez é descaracterizada, condenando a empresa reclamada no pagamento de verbas decorrentes de uma dispensa imotivada e até mesmo à reintegração do funcionário.

As dificuldades e as dúvidas enfrentadas pelos empregadores na relação de trabalho com um dependente químico, bem como a discussão sobre a possibilidade de demissão deste funcionário são temas de grande relevância atual, tendo em vista o assustador crescimento do consumo de drogas nas cidades brasileiras e seus indissociáveis reflexos na vida profissional dos dependentes. Todavia, ainda considerado um tabu, tem sua importância ofuscada pelo preconceito e falta de informação.

Antes o uso de álcool ou de qualquer outra droga por um funcionário era tido como motivo exclusivo de demissão. Aos poucos, as empresas passam a encarar como um problema de saúde que exige olhar médico e não de punição.

É no trabalho que o dependente químico passa a maior parte do dia, sendo assim nada mais justo que o auxílio parta também do empresário, visando a melhoria da qualidade de vida de seu empregado, bem como a garantia de maior sucesso com seu negócio.

Não é mais novidade para ninguém que a "Dependência Química" (termo genérico para o uso patológico de álcool e outras drogas), constitui hoje, um dos mais sérios problemas de ordem Biopsicossocial (que se refere a fatores biológicos, psicológicos e sociais) da humanidade.

Também já é notória que á "Dependência Química" não é apenas uma particularidade das classes mais baixas da sociedade, atingindo também e com grande incidência nas classes mais privilegiadas.

Segundo informações do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), a dependência do álcool ou de outras drogas tem aumentado os números em todo o País. Em 2012, foram 47.839 trabalhadores afastados; em 2013, foram 52.096 e em 2014, até o mês de julho, foram 23.855 pessoas afastadas do trabalho, sendo a maioria pelo alcoolismo.

Como o andamento do auxílio-doença está ligado às doenças secundárias, o número de casos de afastamento por dependência química pode ser ainda maior do que nos dados divulgados pelo INSS.

Tais números apresentados acima justificam as infinidades de problemas que as empresas vêm enfrentando com seus funcionários que fazem parte de um grupo de pessoas doentes que necessitam de ajuda na prevenção/controle e tratamento da Dependência Química.

Abaixo apontamos alguns fatores bastantes negativos relacionados aos empregados que fazem uso de bebidas alcoólica e/ou drogas:

- Risco de Acidentes de Trabalho: cinco vezes mais.
- Risco com acidentes de carro ou doméstico: nove vezes mais.
- Chances de provocar acidentes de trabalhos envolvendo colegas: 3,6 vezes mais.
- Atrasos: três vezes mais.
- Faltas: 3,5 vezes mais.
- Assistência Médica: três vezes mais.
- Demissões: 2,2 vezes mais.

* FONTE FISP - AMA/USA

Também são considerados problemas relacionados à dependência química e que se encontram presentes no ambiente de trabalho:

- Baixa qualidade de trabalho.
- Perda de produtividade.
- Baixa motivação do empregado.
- Perca de materiais.
- Danos em equipamentos.
- Atrasos.
- Saídas em meio ao expediente.
- Perdas de funcionários especializados.
- Faltas justificadas e injustificadas.
- Acidentes de trabalhos.
- Acidentes de trabalho, inclusive com morte do funcionário.
- Acidentes de trânsito no exercer das funções.
- Afastamento médico do funcionário por problemas de saúde causados pelo uso de álcool e/ou drogas.
- Recepcionar mal os clientes, denigrindo assim a imagem da empresa.
- Problemas de relacionamento com colegas/chefias/fornecedores/clientes.
- Risco para a empresa de processos judiciais e indenizatórios.
- Em alguns casos o funcionário rouba a empresa, a fim de ter dinheiro para comprar a substância que é dependente.

Quanto mais os empregadores desconhecerem o problema da dependência química ou souberem meias verdades e irem para o lado do preconceito, quanto mais a empresa e seus administradores fecharem seus olhos para os trabalhadores portadores desta doença, a droga irá ganhando terreno e o empresário continuará a desperdiçar dinheiro, tempo e os recursos humanos deste País.

 

Palavras-chave: | qualidade de vida no trabalho | saúde | desemprego |

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COMENTÁRIOS (8)
Carlos A. Capovilla em 08/11/2015:
Excelente reportagem! Tema abordado é de suma importância ser considerado pelos empregadores. Muita gente precisa de ajuda e não de desprezo.

Juliana em 04/11/2015:
Adorei o texto, Lilian. Muito bem escrito e com ótimas informações sobre um assunto ainda tão problemático para as empresas. Parabéns!!

Dirceu Fusaro em 03/11/2015:
Texto muito interessante e atual. Parabéns pela abordagem!

Júlio César Barbosa lima em 03/11/2015:
Realmente um texto que aborda um tema de grande relevância na vida das organizações e em especial das pessoas. Recomendo o tema e o texto seja usado como exemplo em seminários e pesquisas em faculdades.

Michele em 03/11/2015:
Eu conheço a “Lilian – Psicóloga Organizacional” e acredito no seu trabalho !!!! Excelente Profissional . Tema de extrema importância para o mercado de trabalho atual.

Carla Juliana Hergert Pereira em 03/11/2015:
Cara Lilian, simplesmente sensacional abordar esse assunto em pleno seculo 21, onde existem ainda muitos tabus. Esclarecimentos simples e objetivos. Obrigada

Marina Lourdes Cavalaro de Almeida em 03/11/2015:
Conheço esta a profissional que escreveu este artigo - Lilian Cristina de Almeida e recomendo seus serviços!

Inês em 02/11/2015:
Lilian, parabéns pelo seu artigo, nos mostrando o mal que esta presente cada vez mais em nossa sociedade e o quanto estas pessoas "doentes" que necessitam de ajuda na prevenção/controle e tratamento da Dependência Química,problemas que as empresas vêm enfrentando com seus funcionários que fazem parte deste grupo de pessoas "doentes", Dependência Química".

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