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25/07/2016
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Mudança: por vezes, o medo vem na função de “proteção” e não da limitação

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br

Diante de tantas situações adversas que ocorrem no campo organizacional, em virtude do cenário econômico, a questão que surge na mente dos dirigentes das empresas e dos demais profissionais é: "Mudar ou não mudar? Eis a questão!". Contudo, enquanto muitos se fazem essa pergunta "inúmeras vezes", as inovações não param de ocorrer o mercado mostra uma tendência constante para que tanto empresas quanto pessoas busquem e encontrem alternativas viáveis para se adaptarem ao "novo".
Por outro lado, por natureza, o ser humano tende a apresentar uma tendência a resistir àquilo que desconhece. De acordo com Rosana Chaves, diretora da Moving Consultoria, normalmente isso ocorre por medo que o indivíduo tem de sair da condição estabelecida, cujos sentimentos de conforto e segurança prevalecem. "Isto não significa satisfação, apenas resistência ao novo que inicialmente nos deixa desconfortáveis e inseguros. Vale acrescentar que infelizmente há uma tendência da mudança quase sempre ocorrer pela dor. Então, a mudança ocorre quando o ‘custo' se torna alto demais para lidar apenas com o conhecido", esclarece a especialista em Gestão de Pessoas. Em entrevista ao RH.com.br Rosana Chaves aborda questões relevantes como, por exemplo, o papel da área de Recursos Humanos e das lideranças no processo de mudança. Se este assunto é do seu interesse, o que acha de ler a entrevista na íntegra e ter uma leitura que poderá ajudá-lo na sua performance profissional?


RH.com.br - A mudança costuma ser considerada um processo delicado, pois a maioria das pessoas resiste ao novo. Isso ocorre mais por "medo" ou acomodação dos indivíduos?
Rosana Chaves - Creio que mais por medo. Medo de sair da condição estabelecida, cujos sentimentos de conforto e segurança prevalecem. Mas, isto não significa satisfação, apenas resistência ao novo que inicialmente nos deixa desconfortáveis e inseguros. Vale acrescentar que infelizmente há uma tendência da mudança quase sempre ocorrer pela dor. Então, a mudança ocorre quando o "custo" se torna alto demais para lidar apenas com o conhecido. A mudança pela dor poderá ser uma experiência um pouco traumática por conta da falta de estrutura, preparação e clareza da sua verdadeira razão. Importante saber que não há necessidade de ser sempre assim, é possível preparar para viver ou estabelecer um processo de mudança. A dica facilitadora para desenvolver este potencial de mudança é o autoconhecimento para identificar suas necessidades, seus desejos, o que o impede ou limita para chegar a este fim.

RH - Essa resistência à mudança acontece por falta de experiência da pessoa ou independe da fase de vida que ela se encontre?
Rosana Chaves - Com base no que vivencio e observo, independe da fase em que ela se encontra e, sim, da sua visão de mundo. Daí minha insistência, para que as pessoas sempre busquem se conhecer mais e mais... O que determina é a relação que ela tem com seus medos, a clareza dos desejos ou necessidades, reconhecimento dos valores de vida. Experiências ruins ou bem-sucedidas entram para o aprendizado, simples assim! E, o medo tem a função de nos proteger e não de limitar.

RH - No campo organizacional, a resistência às mudanças é um fator preocupante. O atual cenário nacional tem contribuído, para que os talentos coloquem "barreiras" diante do novo?
Rosana Chaves - Sim. O atual cenário nacional está contribuindo em muito para dificultar a admissão de mudanças. Mudar requer responsabilidade e uma dose de ousadia, preferencialmente, no tempo certo. E, aí que tudo fica nebuloso, pois tantas informações chegando a todo o momento sobre a situação econômica e política do país nos fazem acreditar que não é o momento, não é o tempo certo. Então, discernimento. É preciso questionar se você não está sendo defensivo e perdendo oportunidades por entrar no padrão do momento. Há muitos que crescem em períodos de crise, é bom refletir.

RH - Podemos afirmar que a aceitação às mudanças tornou-se um fator de sobrevivência tanto para as empresas quanto para os profissionais?
Rosana Chaves - Com certeza. Se você quer resultados diferentes há de ter atitudes diferentes, sempre. Tudo está muito dinâmico, as expectativas cada vez mais altas e a tolerância cada vez menor. Então, o grande desafio para empresas e profissionais é acompanhar este ritmo. Desenvolva ferramentas ou métodos que permitam uma melhor avaliação do momento ou da necessidade e que possam garantir qualidade e rapidez na tomada de decisão. Isto é questão de sobrevivência e, ainda, um diferencial.

RH - Ao se falar em mudança corporativa, devemos sempre pensar na área de Recursos Humanos como um parceiro estratégico?
Rosana Chaves - Sim! Mudanças no ambiente corporativo envolvem pessoas, que atuam a partir de sentimentos, expectativas, convicções, sonhos, percepções influenciadas pela sua visão de mundo. Então, cabe a área de Recursos Humanos o entendimento de todas estas variáveis e contribuição na estratégia.

RH - E quanto às lideranças, como estas devem ser inseridas no processo de mudanças?
Rosana Chaves - Creio que facilita a inserção do líder no processo de mudanças quando o mesmo toma conhecimento das razões para esta iniciativa, quando ele participa e, de fato, colabora com a elaboração do plano. É saudável e de grande valia ter a liderança assumindo responsabilidades, seja no papel de: defensor, mobilizador, orientador, apoiador.

RH - Quais são os principais erros que as empresas cometem, ao instituírem processos de mudanças?
Rosana Chaves - Não tratar com transparência as questões, não ter critério nas decisões, não estabelecer comunicação com todos que poderão colaborar ou ser influenciados. E, em minha opinião, o maior dos erros é não saber o que e aonde se quer chegar com este processo de mudança, falta de clareza e convicção dos objetivos.

RH - O que você considera como indispensável em um processo de mudança?
Rosana Chaves - Indispensável: clareza dos objetivos, reconhecimento dos recursos necessários e disponíveis para este processo de mudança e determinação.

RH - De que forma a inovação pode ou deve ser apresentada aos times, para que os profissionais apresentem uma boa receptividade?
Rosana Chaves - O time precisa perceber os benefícios que serão gerados com esta inovação, quem serão os beneficiados, o quanto e como ele poderá contribuir para o sucesso do projeto.

RH - Que recursos devem ser utilizados, para que a empresa tenha uma boa percepção de como os times estão reagindo ao processo de mudança?
Rosana Chaves - Uma comunicação facilitadora que poderá ocorrer a partir de dinâmicas de grupo, entrevistas individuais, como exemplo, que tenham como orientação a análise de ganhos e perdas com as mudanças até aquele momento, entendimento dos interesses e das "barreiras" que surgiram ou que estejam sendo colocadas por crenças ou por resistência.

RH - O que a senhora teria a dizer para quem está diante da necessidade de adotar um processo de mudança, porém tenta postergá-lo ao máximo?
Rosana Chaves - Comece analisando o que você pode estar perdendo por não iniciar o processo de mudança, avalie o que você poderia ganhar se já estivesse começado, reflita quais são os riscos que você realmente corre e o impacto que eles poderiam causar. Confirme se você tem os recursos necessários e, caso não tenha, como obter e se são indispensáveis para garantir o resultado esperado.

 

Palavras-chave: | Rosana Chaves | inovação | aprendizagem |

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