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15/05/2012
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Qual o peso da sua mochila?

Por Jerônimo Mendes para o RH.com.br

Quer você goste ou não, sendo humano, você tem uma sombra, segundo Carl Jung, psiquiatra suíço, discípulo de Freud e criador da psicologia analítica. A sombra se apresenta em diferentes faces: ambiciosa, egoísta, mandona, crítica, censora, dissimulada, hostil, preguiçosa, manipuladora etc. A lista é interminável.

A sombra, como diz o próprio nome, é o nosso lado sombrio e, por vezes, difícil de aceitar. Ela age como um reservatório para os aspectos inaceitáveis da nossa personalidade, todas as coisas que relutamos para não ser e que, na maioria das vezes, nos provocam ódio, repulsa e embaraços.

Do ponto de vista da Janela de Johari, a sombra pode ser tanto o seu "eu aberto", ou seja, conhecido, mas negado por você e conhecido pelo outros, quanto o seu "eu cego", aquele conhecido pelos outros, mas desconhecido ou ignorado por você. Se você não conhece a si mesmo, como pode conhecer os outros?

Em diferentes momentos, ela apresenta-se com uma cara que você não deseja mostrar ao mundo tampouco a você mesmo, entretanto, o fato de você ignorá-la não significa que ela deixará de existir. Para livrar-se da sombra, temos de aprender a existir e a livrar-se do medo, o que não é tão simples assim.

Considerando as imperfeições do ser humano e a predisposição de cada um para julgar ou prejulgar os outros, se quiser realmente ser livre você precisa, antes de tudo, parar de julgar a si mesmo. Se eu próprio, ser humano consciente das minhas imperfeições, não consigo me livrar delas facilmente, porque deveria exigir que os outros assim o fizessem?

O poeta e escritor norte-americano Robert Bly descreve a sombra como uma mochila invisível que cada ser humano carrega nas costas. Na medida em que crescemos, guardamos na mochila todas as características que não são aceitas pela família e pelos amigos. Segundo Bly, as pessoas passam as primeiras décadas de vida enchendo a mochila e gastam o restante tentando recuperar o que puseram na mochila para aliviar o fardo.

Erick Erikson, renomado psicólogo da Universidade de Harvard, refere-se a essa última fase como um dos estágios de desenvolvimento de interesse, o que ele chama de Integridade versus Desespero. Trata-se do último estágio da vida. Ao tomar consciência de que o fim está próximo, existem duas opções: o indivíduo se sente íntegro, realizado, admite que a vida foi plena, digna e bem aproveitada ou, então, se desespera. Se a mochila estiver muito pesada, a frustração aumenta.

De certo modo, isso justifica o fato de o ser humano olhar somente para a mochila alheia com olhar crítico e tendência ao prejulgamento, afinal, a mochila está nas costas. É mais fácil avaliar a mochila de quem está à nossa frente em vez de se preocupar com a nossa, a que não conseguimos ver.

Uma das maiores armadilhas do nosso tempo é a síndrome do "eu já sei" ou "eu já conheço isso". E mesmo que não saiba, eu entro no Google, digito o que quero e a informação aparece ainda que não apresente uma fonte confiável. Com um pouco de preguiça é possível escolher a primeira que aparece.

Com frequência, esse pseudo-conhecimento disponível nos impede de conhecer a fundo a realidade do assunto. O mesmo acontece com a nossa realidade pessoal. A soberba nos impede de descobrir a verdade sobre nós mesmos.

Muitas pessoas preferem não assumir o seu lado sombrio. Elas têm medo de encarar a realidade, mas é praticamente impossível mudar a si mesmo sem conhecer a realidade da sua própria sombra. Como a tarefa mais difícil do mundo é pensar, a maioria prefere julgar e prejulgar, o que torna o trabalho mais simples.

Quer você goste ou não, o mundo é um espelho de nós mesmos. Ao aceitar e perdoar os seus próprios defeitos que não são poucos, assim como os meus, é possível aceitar e perdoar os outros. Isso significa que se você parar de julgar a si mesmo é bem provável que você pare de julgar os outros. Mas a gente demora a aprender essa dura lição.

Se você não consegue enxergar a sua sombra como gostaria, pergunte a alguém da sua família ou às pessoas com quem trabalha, preferencialmente, a um amigo que não tenha medo de dizer a verdade. Se for realmente seu amigo, ele vai indicá-la e talvez você perceba que não é tão querido quanto imagina ser.

É difícil viver num mundo que privilegia a beleza, o consumo, a injustiça, o ter mais do que o ser, que exige as suas qualidades e faz com que você esconda os defeitos. Entretanto, não é necessário ser perfeito para ser divino.

Todos os seres humanos têm uma sombra que representa apenas uma parte da sua realidade. Ela existe para indicar em que ponto estamos vulneráveis, incompletos e onde podemos melhorar. Quando a nossa psique reconhece isso, a sombra deixa de ser inimiga para se tornar uma fonte inesgotável de competências, energia, potencial e autenticidade.

Quando você compreende que tem todos os defeitos que enxerga nos outros, a perspectiva muda. Se você se concentrar nos defeitos e nas imperfeições alheias nunca encontrará a sua sombra. E se não encontrá-la, continuará sendo tão imperfeito quanto aqueles que você julga. Será que a mochila alheia tem mais defeitos do que a nossa?

Pense nisso e seja feliz!

 

Palavras-chave: | Gestão do Comportamento | atitude | emoção |

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COMENTÁRIOS (4)
Ivone Lage Fonseca Duarte em 05/05/2013:
O seu artigo me levou a refletir um pouco mais e a completar o que me propus escrever sobre este assunto. Vi o filme EFEITO SOMBRA indicado por meu coaching. Faço uma leitura um pouco diferente sobre a nossa sombra. Não digo que estou certa, é uma outra forma de ver. Coach: Jonathan Felix de Souza Coachee: Ivone Lage Fonseca Duarte Luz e sombra – O que absorvo destes conceitos? Como sinto estes conceitos em minha vida? O que refleti a partir do filme? Quando não gostamos dos aspectos que existem dentro de nós, projetamos em outras pessoas.” SERÁ? Quando gostamos das qualidades em outras pessoas e apontamos o dedo para elas estamos também nos projetando? No filme este lado não é mencionado. Aliás, conheço pouco de Psicologia, mas todas as vezes que li sobre o aspecto sombra sempre questionei esta leitura em uma única direção. Se, se usa máscaras para esconder defeitos, e as qualidades e talentos que estão escondidos? Dom Helder Câmara dizia que não gosta que as pessoas digam amém a tudo que ele diz, pois passam a ser uma sombra dele – Dom Helder. Não me agrada nem um pouco dizer amém a algumas ideias de Jung. Se acreditarem no inconsciente coletivo, na sombra coletiva e divulgar isto, estarão criando ou atraindo uma sombra que não existe. A LUZ existe. Já a sombra é ausência de luz. Ausência de fé em Deus. Ausência de informação. Ausência de leitura e pesquisa. Ausência de humildade. Ausência de diálogo. Ausência de autoestima. Ausência de motivação. Ausência de amigos. Ausência de apoio. Ausência de perdão. Ausência de autoconhecimento. Ausência de oportunidade. Ausência de questionamentos. Ausência de respostas. Ausência de energia. Ausência de flexibilidade. Ausência de serenidade. Ausência de lâmpadas acesas. Ausência de sonhos. Ausência de atitude. Ausência da verdadeira liderança. “NÃO SOU EU QUE ACREDITO EM DEUS, É ELE QUE ACREDITA EM MIM.” Esta LUZ que é a essência divina em cada ser humano pode ser desenvolvida? Como? Todos nós somos cegos – uns mais, outros menos. Se focarmos no efeito sombra deixamos de desenvolver os talentos, as habilidades. “O coaching é uma abordagem que trabalha com a parte direita do cérebro, em que relacionamentos são mais importantes que tarefas, estima é mais importante que sucesso, histórias são mais importantes que estratégias, experiências são mais importantes que livros de regras, pessoas são mais importantes que instituições e reforço de pontos fortes é mais importante que resolução de problemas.” Fonte: Livro- Jesus Coach de Laurie Beth Jones.

Jair de Oliveira em 18/05/2012:
Caro Jerônimo, este texto coaduna com nossa troca de energia do último texto que li neste portal. Fico feliz em ver que você aceitou a minha contribuição e complementou o texto anterior com esta pérola. Eu aprendi, também, é que quando nós nos incomodamos com o defeito alheio é porque ele faz parte de nós (efeito espelho) e é tão bom quando a gente não exerga mais defeitos em quem quer que seja. Mas como você disse, dá trabalho e muito trabalho para se chegar neste estágio. Parabéns e muito agradecido por compartilhar conhecimentos. Forte abraço. Jair

Joao Carlos em 16/05/2012:
Muito oportuno o texto! Acredito que sofremos muito com as expectativas do mundo e deixamos de lado nossos desejos, em prol de fazer parte do sistema, criando essas sombras que nós mesmos temos receio de olhar! Ótima reflexão para todos!

Simone em 16/05/2012:
Um texto muito bom e elucidativo. A imagem da mochila é extremamente clara e marcante. Com certeza, fica em nossa mente e ajuda à reflexão e à mudanças.

 
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