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15/02/2012
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Quando o líder “faz a diferença”?

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br

Um mercado altamente competitivo e que exige a atuação de profissionais capazes de atuarem em equipe. Essa é a realidade vivenciada por todas as empresas, independentemente do porte ou ramo de atuação. Contudo, para que isso ocorra é indispensável a presença do líder - um personagem que esteja à frente dos demais talentos para dar norte às atividades e os ajude a alcançar as metas estabelecidas. Contudo, não é suficiente ter ocupar um cargo de gestão para dar "conta do recado", é necessário "fazer a diferença". Mas, na prática, o que isso significa no dia a dia organizacional? Segundo Gustavo Boog, diretor do Sistema Boog de Consultoria, "fazer a diferença" é: superar as expectativas e encantar as pessoas, sejam elas clientes externos, internos ou membros da organização. Com uma vasta experiência em projetos de transformação organizacional, coaching, palestras e workshops de temas gerenciais e comportamentais, pesquisa e gestão do clima organizacional e mapeamento 360º, Boog afirma que hoje o profissional tem que sair do lugar comum e ir além do cumprimento estrito de um contrato.
"Os líderes devem buscar resultados de forma equilibrada com um bom ambiente de trabalho e com abertura para inovações e criatividade. Para fazerem a diferença, as pessoas precisam desenvolver sua maestria pessoal e profissional, que implica em líderes que estimulem esse processo, de forma contínua, e em liderados que queiram isso", argumenta o coautor do livro "Discursos e práticas de gestão de pessoas e equipes". Em entrevista ao RH.com.br, Gustavo Boog faz uma interessante explanação sobre a liderança que traz o diferencial para as organizações. Boa leitura!


RH.com.br - Fazer a diferença tornou-se um diferencial competitivo para as organizações e já, hoje, é considerada quase uma obrigatoriedade para os profissionais. Afinal, o que significa "fazer a diferença" no campo corporativo?
Gustavo Boog - Fazer a diferença é superar as expectativas, é encantar as pessoas, sejam elas clientes externos, internos ou membros da organização. Isso significa sair do lugar comum, ir além do cumprimento estrito de um contrato, ou seja, buscar soluções que encantem as pessoas, que adoram organizações que fazem a diferença, pois surpreendem positivamente e superam as expectativas. Fazer a diferença implica em abandonar a postura burocrática de fazer apenas a sua parte, é sair do papel de vítima, de parar de reclamar dos processos de trabalho ou do chefe injusto. É fazer aquilo que precisa ser feito.


RH -
O que caracteriza um líder que agrega a diferença para a empresa?
Gustavo Boog - A organização está a serviço de seus clientes, usuários e comunidades. Quão melhor fizer isso, mais resultados e sustentabilidade a organização terá. Se fizer a diferença, terá clientes fieis e ganhos contínuos. Clientes encantados trazem isso: sobrevivência, crescimento e desenvolvimento para as organizações. As lideranças têm um papel central nessa busca, ao estimularem as equipes e as pessoas a deixarem a marca da sua identidade, o registro de sua competência, a contribuição de sua atuação única naquele lugar e naquele momento. Os líderes devem buscar resultados de forma equilibrada com um bom ambiente de trabalho e com abertura para inovações e criatividade. Para fazerem a diferença, as pessoas precisam desenvolver sua maestria pessoal e profissional, que implica em líderes que estimulem esse processo, de forma contínua, e em liderados que queiram isso. Fazer a diferença não pode acontecer só de vez em quando, é algo que precisa acontecer constantemente. São as lideranças que, em conjunto com seus liderados, asseguram esse "fazer a diferença".


RH -
Quais são as características da pessoa que faz a diferença?
Gustavo Boog - Qualquer pessoa pode fazer a diferença. Não é preciso ter talentos especiais, é mais uma questão de querer isso. A pessoa que faz a diferença tem algumas características como: importa-se com os outros, focando soluções e não problemas, com um sentido de finalização; dá um "empurrão", faz ver coisas, fala, mostra novas possibilidades; está de bem com a vida, entusiasmada, não descarrega frustrações no outro, tem cortesia e alegria; conhece as tuas necessidades, tem competência e ajuda a alcançar os objetivos; não se exime das responsabilidades, assume a liderança, os riscos e é assertiva.


RH -
Quais são as principais competências comportamentais que essa liderança traz consigo e que precisam ser constantemente trabalhadas junto à equipe?
Gustavo Boog - A principal é gostar de trabalhar com pessoas. Vemos muitas organizações em que as pessoas são promovidas a posições de gestão pelo fato de serem bons técnicos e serem leais. Para não perder esses colaboradores, ocorre a promoção de profissionais que não desenvolveram competências na dimensão humana do trabalho e que têm dificuldades de lidar com pessoas, de ter relacionamentos positivos, de se comunicar efetivamente. Aí se perde um bom técnico e se ganha um péssimo gestor. Vejo muitas pessoas em cargos de gestão que literalmente odeiam pessoas. Elas seriam muito mais úteis se estivessem em cargos técnicos do que em posições de liderança. Aliás, essas pessoas nunca serão verdadeiros líderes, não passarão de chefes autocráticos ou omissos. Para liderar, para fazer a diferença, é preciso gostar de gente. Alguns aspectos que considero essenciais são: conhecer as formas de atuação suas e das pessoas ao redor; saber lidar com as diferenças; ter estilos de liderança adaptados às características de cada situação; estimular o desenvolvimento das pessoas de sua equipe; saber comunicar-se de forma adequada; saber dar e o receber feedback; saber conduzir equipes; ser um membro ajustado de equipe; ter coerência entre discursos e práticas.


RH -
Independentemente do segmento de atuação, para levar o diferencial à empresa é preciso amar aquilo que se faz?
Gustavo Boog - O mundo do trabalho sempre foi regido por um paradigma mecanicista, que valoriza o mental, o lógico, o racional e o numérico. Isso tudo é necessário, mas não suficiente, pois a motivação, o desempenho excelente, o fazer a diferença dependem também do coração, que deve estar integrado com a mente. O emocional integrado ao racional. E aí chegamos ao tema do amor àquilo que está fazendo, amor em atender bem aos clientes, amor a uma causa relevante. Quando as pessoas veem significado naquilo que fazem, passam a ter uma visão de prazo mais ampliada, buscam a sustentabilidade de suas ações, e o "fazer a diferença" acontece.


RH -
A autoridade de uma liderança que faz a diferença possui peculiaridades extremamente antagônicas aos que acreditam que o poder é apenas uma ferramenta para obter status?
Gustavo Boog - Autoridade é diferente de poder. Gosto da definição do James Hunter, em seu livro "O monge e o executivo", de que "a liderança é a habilidade de influenciar pessoas para trabalharem entusiasticamente, visando atingir aos objetivos identificados como sendo para o bem comum". Os chefes usam o poder, a força hierárquica, o crachá de gestor, que é "a faculdade de forçar ou coagir alguém a fazer sua vontade, por causa de sua posição ou força, mesmo que a pessoa preferisse não o fazer". Isso é totalmente diferente da autoridade dos líderes, "a habilidade de levar as pessoas a fazerem de boa vontade o que você quer por causa de sua influência pessoal". Em situações extremas o líder pode ter de usar seu poder, mas o que o caracteriza é o uso de sua autoridade. Nisso está a sustentabilidade de sua atuação.


RH -
Quando um líder mostra-se capaz de inovar, ele repassa esse sentimento para a equipe de forma natural?
Gustavo Boog - Tudo é mutável, ou, para usar um termo budista, tudo é impermanente. Mercados mudam, novas tecnologias surgem, novos hábitos e valores substituem os antigos, e tudo numa velocidade espantosa. A Geração Y, que em muitas organizações já representa mais de 50% do pessoal, é um exemplo de mudança. Portanto, a capacidade de mudar, de se adaptar às novas condições, de se antecipar às mudanças é crítica ao sucesso organizacional. Se o líder é inovador, ele tem grande chance de estimular as pessoas a também serem inovadoras.


RH -
Que fatores interferem negativamente na atuação de um líder, mesmo que esse traga consigo todas as competências de um profissional inovador?
Gustavo Boog - Pode até ser que ele pessoalmente seja inovador, mas se quiser manter o monopólio dessa inovação, ele terá um bando de seguidores passivos, nunca uma equipe de alto desempenho. Na medida em que o líder desenvolva suas competências na dimensão humana, irá caminhar para a excelência de sua atuação, fazendo a diferença para ele mesmo, para as pessoas de sua equipe, para seus clientes e para o planeta como um todo. Centrar-se no poder, restringir-se a ser um bom técnico, não dar atenção aos aspectos humanos no trabalho são os caminhos para o fracasso como líder.


RH -
Em sua opinião, o que mais estimula uma liderança a superar os desafios corporativos e contribuir para o sucesso do negócio?
Gustavo Boog - Líderes são essenciais para o sucesso da organização, que deve procurar sempre fazer a diferença. O líder que tem essa visão correta de seu papel, vê que pode atingir resultados com as pessoas, alinha seus discursos com suas práticas, vê que criar um clima de trabalho positivo não só contribui para que as pessoas sintam-se bem, produtivas e motivadas, mas também contribui de forma destacada para os resultados organizacionais, colaborando para o bem geral, de forma sustentável. É disso que precisamos dos líderes e das organizações.

 

Palavras-chave: | Gustavo Boog | estilo de liderança | competência |

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COMENTÁRIOS (7)
renato côrtes teixeira em 19/08/2013:
Muito atual para a geração Y. O ser humano tem que ser tratado como tal. GADO MARCADO NÃO EXISTE MAIS.

Virginia Freitas em 19/08/2013:
Excelente! Matéria esclarecedora e entusiasmante.

Luiz Tavares da Silveira em 13/08/2013:
Parabéns pelo material. Aplicação direta nas empresas em renovação e reorganização. Oxigenação das pessoas para a liderança.

Airton Padilha Jr em 06/03/2013:
Muito interessante esta matéria.

Douglas Machado em 19/10/2012:
Excelente matéria!

Terezinha Sarmanho em 14/08/2012:
Muito boa esta matéria, todos que atuam como lideres deveriam ler.

marcelo martins de souza em 17/02/2012:
Parabéns pelo excelente material.

 
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