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07/08/2012
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A baixa qualidade do gestor no Brasil

Por Rubens Gustavo Gurevich para o RH.com.br

Em sua opinião, o gestor brasileiro faz gestão eficiente do seu time? Faço essa pergunta, pois tenho a oportunidade de estar muito próximo a inúmeros gestores, já que trabalho diretamente com o corpo de liderança de pequenas, médias e grandes empresas.

E a conclusão com base na minha experiência, infelizmente, é que o líder no Brasil não faz gestão eficiente do seu time. Essa é uma regra quase que constante nas empresas. Para termos uma ideia, de cada dez gestores observados, apenas dois possuem interesses genuínos em desenvolver o seu time.

E este interesse está baseado em dois pilares:
- Que o gestor reconheça que as pessoas precisam de desenvolvimento.
- E uma sinalização sistemática por meio de feedbacks claros e objetivos.

Porém, é preciso entender melhor como funciona um time e um estudo do professor John Katzenbach (The Discipline of Teams) ajuda muito os gestores. Isso porque, ele define que o time, para chegar à alta performance, passa por alguns estágios de desenvolvimento. O estudo ainda afirma que o desempenho do time é função direta do seu comportamento, ou seja, sem alinhamento comportamental, o desempenho estará sempre limitado. E, ao evoluir o seu estilo de comportamento, o time vai evoluindo a sua capacidade de potencializar o desempenho.

Assim, o time começa como um Grupo, evoluindo para Time em Maturação, Time Potencial, Time Real e finalmente Time de Alto Rendimento. No Grupo, o desempenho é regular, pois os integrantes do time estão trabalhando de forma independente.

Já no Time de Alto Rendimento, os resultados são extraordinariamente superiores, acima das expectativas inicialmente previstas, resultado de um comportamento individual totalmente alinhado ao comportamento do time.

Dessa forma, sem o envolvimento autêntico do seu time, os resultados serão, no máximo, medianos. O líder deve destacar-se com o brilho individual de cada integrante do seu time, já que o brilho individual do líder ofusca e não gera resultados extraordinários. E, de maneira alguma, não existe ameaça no fato do time brilhar em conjunto, pelo contrário, é a única forma de se chegar ao alto rendimento.

Então, como promover uma melhor qualidade de gestão aos nossos líderes?

1º - O líder precisa estar consciente que operando no conceito de Grupo (baixo alinhamento comportamental do time), seu desempenho estará sempre comprometido.

2º - O líder precisa estar determinado a evoluir o seu time para Alto Rendimento, pois somente nesse estágio de evolução seus resultados serão extraordinários.

3º - O líder precisa conhecer em profundidade e individualmente os integrantes do seu time, quais são seus motivadores, quais são seus medos básicos, o que gostam de fazer, o que os deixam desmotivados etc.

4º - O líder precisa compartilhar com o seu time, de forma clara e objetiva, as metas a serem atingidas, comunicar de forma eficaz a importância de cada um e o que ele espera de cada integrante do time para atingir os resultados.

5º - O líder precisa dar feedbacks sistemáticos ao seu time, de forma racional, tanto sobre os resultados atingidos bem como do comportamento observado de cada integrante. A emotividade, característica marcante do povo brasileiro, acaba atrapalhando o gestor na hora do feedback, pois na grande maioria das vezes, o que deve ser dito de forma direta acaba transformando-se em um erro de mensagem, na qual a emoção impõe-se sobre a razão.

6º - O líder, ao dar feedbacks, precisa estruturar sua comunicação, atentando para a construção de sua fala em três partes: destacar o positivo; identificar a limitação; e, por fim, sugerir uma iniciativa de melhoria. Exemplo de construção de um bom feedback: "É muito determinada, porém necessita trabalhar a impulsividade. Ouvir mais antes de tomar decisões é um bom caminho".

7º - O líder precisa dizer ao seu time, claramente, que os talentos individuais transformam o time em Grupo, e que somente a soma coordenada dos talentos transforma em Alto Rendimento.

8º - O líder precisa estar consciente que capacitação técnica é pré-requisito. Sem competência técnica não há entrega. Porém, o diferencial está no comportamental, ou seja, é a qualidade do comportamento do time que fará a diferença, fazendo resultados medianos transformarem-se em resultados espetaculares.

Palavras-chave: | estilo de liderança | competência | crescimento profissional |

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