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24/01/2012
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Liderança feminina e a culpa de crescer

Por Mônica Hauck para o RH.com.br

Na estrada para a Liderança Feminina podemos encontrar inúmeros motivos que nos levam a ficar pelo caminho: estatísticas, discrepância salarial, falta de oportunidades. Todos estes obstáculos são reais, mas hoje quero falar do que acontece dentro de nós. Nossos maiores inimigos são internos. Se os combatermos, ficamos mais fortes para encarar o mundo exterior.

Acredito que um grande entrave para o crescimento profissional das mulheres é a culpa que ela carrega, ainda que de forma inconsciente, por não estar no lar. A culpa acontece quando temos dentro de nós crenças que destoam da nossa vivência. Vivemos culpadas porque trabalhamos, estudamos, temos filhos, viajamos a trabalho.

Mas faço uma pergunta: nossas avós (que tinham dez ou mais filhos) dedicavam mais ou menos tempo por criança, no seu dia a dia? De certa forma estes dez filhos também tinham mães ocupadas com outros afazeres. Ainda que sejam de cuidar dos outros filhos e das atividades domésticas.

Hoje temos em média apenas dois filhos e, porque trabalhamos, nos sentimos culpadas por não conseguir suprir as necessidades demandadas por eles. Pergunte às suas avós se no tempo delas era papel do pai ou da mãe brincar com seus filhos. Já te adianto que na maioria das vezes a resposta será negativa. Mas ainda sim, nos sentimos culpadas porque não brincamos o suficiente, por não estarmos pertos o suficiente. Mas o que significa mesmo a palavra suficiente?

Outra culpa que ainda perdura é a do papel de dona de casa. Antigamente, as mulheres passavam o dia cuidando da casa. Pergunte para essas mulheres se elas tinham máquinas de lavar louça, roupa, secadora, microondas e vários objetos que encurtam o trabalho doméstico. O que quero dizer é: ainda faz sentido carregar o mesmo modelo mental, se o mundo e o próprio ofício mudaram tanto?

Encontro mulheres absolutamente esgotadas porque precisam trabalhar, educar seus filhos e ainda sentem culpa quando encontram a casa bagunçada. Com isso, elas passam o final de semana limpando a casa em vez de dormir, descansar, namorar e passear com as pessoas que amam. Este é um fardo muito pesado! Não é à toa que a média de idade de mulheres com câncer e problemas cardíacos tenha caído tanto.

Pra mim está claro o problema: ele se chama anacronismo. Acontece quando transportamos valores de outro tempo para o nosso. Hoje não faz sentido carregar o mesmo senso de dever de um mundo que não existe mais, vivemos num novo mundo sob uma nova dinâmica.

O problema é que sempre o mundo muda mais rápido que nossa cultura e nossos padrões mentais. O resultado é toda uma geração de mulheres, que em maior ou menor grau, se sentem culpadas por trabalhar, ter um lar e filhos.

A questão não é fácil de ser resolvida. Acredito que podemos desempenhar vários papeis, mas precisamos saber priorizar, planejar e "por que não: renunciar"? Pessoalmente, se por um lado tenho uma vida profissional intensa, por outro eu já adiei, cursos, mestrados, viagens a até sonhos para ser mãe e esposa. Até hoje limito minha agenda profissional em prol destes outros papeis. Sigo em frente, não sei qual será o resultado, mas sei que as escolhas são minhas e ninguém deve pagar por elas, pois fiz isso por mim, pela mulher que escolhi ser, e tento viver uma vida plena, cheia de papeis e sem culpa.

Enfim, diante de tantos sugestionamentos e influências que nos dizem o que é certo e o que é errado, tenho uma sugestão: vamos nós, mulheres dizer o que é certo e o que é errado dentro da nossa realidade; dentro das possibilidades que temos dentro e fora de nós, e na medida do possível viver uma vida sem culpa e cheia de significado. Você aceita o desafio?

 

Palavras-chave: | estilo de liderança | inovação | mulher |

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COMENTÁRIOS (6)
Aryane Moren(assessora de marketing) em 17/07/2012:
Eu atuo hoje em duas áreas totalmente diferente uma da outra e ao mesmo tempo uma completa a outra,rs.Durante a semana sou fiscal tributário e acompanh diariamente as noticias do mundo em tecnologia, economia, tributação,...e também acompanho on line minhas publicações e interesses em marketing em assessoria. A noite, quando chego em casa, ainda me dedico ao marketing em edições e atualizações e às vezes tenho que deixar o marketing de lado me desligar do mundo e me dedicar ao meu marido - porque se deixar até nos fins de semana eu tenho que cumprir agenda para acompanhar meus clientes pessoalmente. Ainda não temos filhos e acreditamos que é necessário esta busca constante profissional, pois o mundo atual requer que não fiquemos parados e nos permite a busca insensante do aprender com nossos erros e a superar os nossos medos. Nos faz ser pessoas melhores e capacitadas. Sempre atuante. Eu adoro e não me culpo por ser quem eu sou. Adoro desafios e transmito isso para as pessoas que me cercam.

Jacinta Mira em 09/02/2012:
Pude idenditicar-me neste texto. A culpa existe em deixar os filhos para trabalhar, mas se abrimos mão de boas oportunidades de trabalho, em prol dos filhos e deveres domésticos, nos sentimos frustradas profissionalmente. Se pelo menos houvesse uma maior oferta de turnos de 06 horas corridas, ou flexibilidade de horário, muitas mulheres conseguiriam conciliar suas diversas atividades.

Lisa em 03/02/2012:
Infelizmente essa é a minha realidade. Me sinto feliz por estar buscando crescimento profissional e imensamente culpada por participar pouco do cotidiano dos meus filhos.

Roisniade Pinheiro de Sales em 29/01/2012:
Excelente conteúdo para reflexão. Pude em vários momentos da leitura me questionar e em outros me identificar. Leitura desejável para quem é mãe, mulher e profissional.

MALBA em 26/01/2012:
Oi, Mônica. Me identifiquei muito com essa mulher moderna que cita em seu artigo, por 10 anos parei de estudar para ser mãe, hoje me sinto relizada como tal, mas agora estou me desafiando e fazendo esse papael multiplo de mãe, esposa, dona de casa, funcionária de uma loja e estudante do 3 semestre do curso de rh. Acredite: agora sim me sinto uma mulher que está se realizando. Obg pelas dicas e parabéns pelo artigo. Um grande abraço, Malba

Juliana Alvim em 25/01/2012:
Gostei muito do seu artigo, achei muito real sua opinião. É exatamente assim que nos sentimos, culpadas, parece que todos estão reparando em cada movimento nosso. Se nossa casa está desarrumada, se nosso filho é mal criado, se não conseguimos aquela promoção... Estou tentando me livrar de algumas culpas e vi como é dificil. Tento não me cobrar tanto, para assim não cobrar tanto quem esta a minha volta. Tento fazer tudo ao meu tempo. Mas, é como se olhos me vigiassem. Sei que o caminho é arduo, mas estou disposta a tentar.

 
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