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15/03/2011
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Os conflitos são inevitáveis, porém gerenciáveis

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br

Existe um ditado popular que afirma: "Cada cabeça é um mundo!". Se levarmos isso para o dia a dia, veremos que é uma realidade. Basta apenas observarmos as divergências de opiniões que surgem entre pais, filhos e avôs. Mesmo que a afetividade prevaleça na família, sempre surgirá um momento em que eclodirão visões diferenciadas sobre determinados fatos que envolvam o núcleo familiar. Não se avalia aqui quem está certo ou errado, mas sim o foco está direcionado para as bagagens vivenciais que cada um traz consigo e, por isso, tornam-se únicas.
No campo corporativo, também se evidencia o convívio de profissionais que apresentam características próprias e que se formaram a partir das décadas em que nasceram. São os talentos que formam as gerações: baby-boomer, X e Y. "Na prática, os conflitos são inevitáveis, porém gerenciáveis", afirma Eduardo Shinyashiki, consultor organizacional, escritor e especialista em desenvolvimento das competências de liderança e preparação de equipes.
Em entrevista concedida ao RH.com.br, Shinyashiki apresenta as características dessas três gerações e como cada uma agrega valor às empresas. "Como os profissionais da geração X ficaram expostos às mudanças do mercado de trabalho por mais tempo, precisaram que se esforçar mais para atualizar competências e acompanhar as inovações corporativas", assinala. Essa entrevista é uma oportunidade, para que você faça autoavaliação e reflita se tem uma boa convivência com seus pares, principalmente, com aqueles que não fazem parte da sua geração. Eduardo Shinyashiki apresentará a palestra em vídeo "A influência das lideranças na motivação das equipes" do 5º ConviRH (Congresso Virtual de Recursos Humanos), evento 100% realizado pela internet e promovido pelo RH.com.br, no período de 12 a 27 de maio de 2011. Boa leitura!


RH.com.br - Hoje, as empresa lidam com três gerações: baby-boomer, X e Y. Não tardará e a geração Z chegará ao mercado para também disputar seu espaço. Esses profissionais estão convivendo em harmonia ou ainda há arestas que precisam ser aparadas, para que não surjam conflitos em decorrência de "paradigmas" diferenciados?
Eduardo Shinyashiki - Algumas arestas sempre precisarão ser aparadas no decorrer do caminho, como a necessidade da compreensão das diferenças que caracterizam cada geração de profissionais. Os conflitos são inevitáveis, porém gerenciáveis. É importante sensibilizar os profissionais sobre a complexidade das relações intergeracionais no contexto de trabalho e promover a solidariedade entre elas. A diversidade é generosidade, riqueza, possibilidades, soluções, e nos impede de cairmos na uniformidade vaga, reduzida, simplista e unilateral. Paradigmas diferenciados e diferenças de ideias permitem que a centelha da inspiração, evolução e inovação permaneça acesa.

RH - Onde se observa maior dificuldade de entrosamento, entre: baby-boomer e geração X; baby-boomer e geração Y ou nos profissionais das gerações X e Y?
Eduardo Shinyashiki - Diria que a geração que tem mais dificuldade, em geral, é a X, fechada e prensada entre as outras gerações. Como eles estão sendo expostos às mudanças do mercado de trabalho por mais tempo, tiveram que se esforçar mais para atualizar competências e acompanhar as mudanças. Em relação às outras, é uma geração que pode estar mais confusa, cansada, estressada e sobrecarregada, sem a energia e motivação das novas gerações e sem os benefícios da geração baby-boomer, como posição profissional conquistada, estabilidade, salário melhor.

RH - Existem características peculiares a essas três gerações?
Eduardo Shinyashiki - No geral, várias são as características peculiares a cada geração. Para a baby-boomer, a geração mais experiente, - nascidos aproximadamente no período compreendido entre os anos de 1946 a 1964 -, o trabalho tem forte significado simbólico para a autoafirmação e a posição social. Em relação aos outros aspectos da vida, o profissional, é definido como "muito importante". A carreira é construída com um caminho ascendente e linear, possivelmente na mesma empresa, e as mudanças não são muito bem-vindas, normalmente são vividas como pressões indesejadas.
A geração X envolve os profissionais nascidos entre 1965 a 1980, É aquela que está entre a mais experiente e em posições de comando e os jovens. Mesmo sendo muito competentes e tendo alta capacidade de aprendizagem e adaptação, são os profissionais da geração X que, muitas vezes, vivem com as ameaçadoras mudanças no atual cenário de trabalho, têm medo de perder os benefícios conquistados e não possuem a ousadia e o entusiasmo da geração Y. É a geração que vive mais a busca pela segurança e a preocupação com o futuro. É a divisa entre manter o que conquistou e se lançar em novos desafios. Os que agora têm 30 anos já estão mais pragmáticos e com características próximas ao da geração Y.
A geração Y - formada por pessoas nascidas entre os anos de 1981 a 1999 -, é muito aberta às mudanças, flexível, domina as tecnologias, fala outros idiomas e é atenta à dimensão ética do trabalho. Para os profissionais da geração Y o trabalho é um dos aspectos da vida, mas não o único e não é determinante para a autoafirmação. São mais atentos ao equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. Geralmente, são focados em objetivos em curto prazo e têm dificuldade em criar uma visão mais ampla de futuro.

RH - Que trabalho pode ser realizado no ambiente corporativo, para que essas gerações somem esforços e cada uma contribua com o valor que pode agregar às empresas?
Eduardo Shinyashiki - O trabalho a ser realizado vai ao encontro da sensibilização e da informação no contexto profissional, das diferenças entre as gerações, da importância da solidariedade intergeracional e da valorização da diversidade. Deve-se incentivar a mobilidade dos conhecimentos e as competências entre as gerações, a troca de experiências e atividades de integração. É preciso dar atenção especial à comunicação e ao feedback, bem como valorizar as competências comportamentais e emocionais.

RH - Por que o investimento no desenvolvimento comportamental é indispensável, para contribuir que colaboradores de gerações diferentes formem equipes coesas?
Eduardo Shinyashiki - É indispensável porque uma equipe coesa não nasce espontaneamente, precisa de formação e de líderes que indiquem a direção e apresenta as expectativas claras. O desenvolvimento comportamental é o instrumento que a empresa possui para criar um alinhamento de direção e de propósitos entre os profissionais envolvidos e proporciona que os integrantes da equipe possam fortalecer as potencialidades e utilizem ao máximo suas capacidades. O investimento na área comportamental ajuda a superar os próprios limites, compreendendo mais a si mesmo e ao outro. É o equilíbrio de diferentes estilos, visão de mundo e habilidades que cria uma equipe integrada, cooperativa, que se inspira e motiva reciprocamente.

RH - Em sua opinião, qual das três gerações sente mais impacto diante da diversidade?
Eduardo Shinyashiki - Mesmo sendo a geração que predomina nos cargos de liderança, diria que a geração X teve que batalhar mais, no sentido de ter que se adaptar às diversidades, por ter crescido em um contexto de realidade social em transformação e, por vezes, complicada. A geração X, é bom ressaltar, experimentou um mundo em mudança de valores sociais. Naquela época, entre os anos 60 e 70, os pais começaram a se separar mais, o papel da mulher na sociedade mudou e cada vez mais, não apenas o pai, mas também a mãe passou a trabalhar fora de casa.

RH - Independentemente da geração a que pertença, o compartilhamento do conhecimento pode partir de qualquer profissional?
Eduardo Shinyashiki - É importante lembrar que, mesmo tendo algumas definições gerais sobre as gerações, os indivíduos mudam e possuem sua própria personalidade que advém das experiências pessoais. Cada ser humano é único e nunca encontraremos uma pessoa que tenha vivenciado os mesmos conhecimentos e elaborados da mesma maneira. Por isso o compartilhamento do conhecimento pode partir de qualquer profissional, pois é na troca com o outro que aprendemos e evoluímos, nos espelhamos e crescemos.

RH - Qual a contribuição efetiva da área de Recursos Humanos é capaz de dar, para que esses talentos somem esforços na busca contínua de resultados?
Eduardo Shinyashiki - A área de Recursos Humanos está se deparando com um contexto, onde ainda não há soluções plenamente elaboradas. A sobreposição de diferentes gerações nas empresas, interessadas nas soluções dos mesmos problemas, mas com valores, motivações, expectativas, códigos de comunicação muito diferentes e, às vezes, opostos leva o profissional de RH a reconhecer a relevância e a importância do fenômeno para o sucesso das empresas e como desafio não mais procrastinável. Cada, então, à área de Recursos Humanos: dar a atenção ao fator humano, pois esse é um dos elementos mais competitivos; conhecer as características das gerações; focar os pontos fortes dos profissionais; criar contextos que permitam a permanente troca de experiências entre as pessoas; organizar grupos que desfrutem das características de cada geração para que - concentrando o foco nos resultados - seja possível superar a distancia cultural dos participantes. Por fim, dar respaldo à presença de uma liderança coesa e preparada.

RH - Uma vez estabelecida um clima organizacional saudável entre essas gerações, quais os benefícios gerados às empresas e aos próprios profissionais?
Eduardo Shinyashiki - Cada geração e cada pessoa têm uma riqueza a compartilhar. A maturidade e a experiência de alguns profissionais, por exemplo, valorizam as ideias e as propostas inovadoras de outros, permitindo que as mesmas cheguem a ser realizadas. A diversidade favorece a criação de um contexto mais satisfatório intelectual e emocionalmente que, por sua vez, torna-se a base da motivação, da qualidade do clima organizacional e de resultados positivos. Outros benefícios estão ligados ao crescimento do nível da experiência geral na empresa, pois a rotatividade tende a diminuir, os talentos ficam mais na empresa. Podemos também destacar uma maior eficácia de ação, pois equipes motivadas e integradas utilizam melhor as próprias capacidades, melhorando a performance.

 

Palavras-chave: | Eduardo Shinyashiki | ConviRH | geração Y | geração X | baby-boomer | conflito | equipe |

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COMENTÁRIOS (1)
Bruno em 17/03/2011:
Acredito que gerenciar os conflitos entre as gerações que compõem um departamento deve ser prioridade para um Gestor. Particularmente ainda tenho certas dificuldades, pois atuo em um departamento onde todos têm mais de 34 anos e sou o único que tem 24 e certos costumes e hábitos dos meus pares as vezes me desmotivam. Por esse motivo o Gestor deve estar atento ao ambiente de trabalho de sua equipe e também a necessidades de cada um, pois como bem colocado pela autora o "ser humano é único."

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