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26/04/2016
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Relacionamento interpessoal: muito desejado, porém nem sempre é fácil ser mantido

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br

Pela sua própria natureza, o homem é um ser sociável e em virtude disso busca constantemente estar próximo dos seus semelhantes não somente por uma questão de sobrevivência, mas também para se realizar emocionalmente. Até aí, em teoria, parece ser tudo bem fácil... Contudo, no dia a dia as relações humanas nem sempre acontecem em um "mar de rosas" e isso não ocorre somente no campo pessoal, é extensivo ao meio corporativo.
Diante desse fato, as relações interpessoais quando não são bem conduzidas ou estimuladas para fazerem parte da cultura organizacional, culminam por gerar fatores que prejudicam não somente os profissionais como também as empresas. Para conversar sobre esse assunto que sempre deve ser uma prioridade para os gestores, o RH.com.br entrevistou Denize Dutra, diretora da Denize Dutra Gestão e Desenvolvimento e coordenadora acadêmica do MBA em Economia e Gestão de RH da Fundação Getúlio Vargas.
Segundo ela, o relacionamento interpessoal, ainda que seja um tema antigo, sempre será um desafio para as organizações e pode ser a base de melhores resultados. Ao ser indagada sobre o impacto que os avanços tecnológicos sobre as relações humanas no ambiente de trabalho, ela responde: "As pessoas trabalham lado a lado e não interagem, se isolam num mundo paralelo, passando e-mails e esperando respostas. Está cada vez mais comum em reuniões de empresas, até mesmo pessoas que deveriam ser exemplos para outras, olharem direto para celulares e teclarem enquanto o colega apresenta um importante projeto ou informações", lamenta. Durante a entrevista, ela aponta outros fatores relevantes sobre as relações interpessoais como, por exemplo, os benefícios que essas trazem às empresas e como os líderes podem estimular a aproximação dos membros dos seus times.
Denize Dutra é uma das palestrantes da 10ª edição do ConviRH (Congresso Virtual de Recurso Humano) - evento promovido pelo site RH.com.br, no período de 12 a 27 de maio de 2016. Na oportunidade, ela irá proferir a palestra "A habilidade de dar e receber feedback". Tenha uma agradável leitura!


RH.com.br - Encontramo-nos em uma era repleta de recursos tecnológicos. Que impactos essa realidade tem gerado à capacidade do homem de estabelecer e de manter relacionamentos?
Denize Dutra - Os recursos tecnológicos que foram criados pelo homem para servir ao próprio homem, ao mesmo tempo em que aproximam as pessoas e as colocam conectadas em tempo real, estão também distanciando quando seu uso não é cometido. É inegável que com a tecnologia as pessoas se fazem mais presentes quando estão distantes fisicamente. Em contrapartida, ela também tem distanciado quem está fisicamente próximo. Está cada vez mais comum olharmos casais, famílias e grupos de amigos juntos, mas ao mesmo tempo desconectados, pois cada um está com celular e não interage um com o outro. Em minha vida acadêmica, vejo alunos que investem em um MBA para se atualizar e aumentar network, muitas vezes mais interessados naquilo que se passa fora do que no naquilo que está sendo compartilhado por um colega ou até pelo professor. O impacto se torna negativo quando não há limites. Percebo que muitas pessoas não conseguem expressar suas emoções e ideias quando estão "face to face", porque só se sentem seguras e confortáveis escondidas atrás de uma telinha no "Facebook" ou qualquer outra rede. E este conforto faz com que muitas pessoas também percam o limite do respeito à diversidade de qualquer natureza, postando comentários absolutamente desrespeitosos, que talvez se fossem para ser ditos pessoalmente seriam mais cautelosos, por receio da reação do outro.

RH - Os relacionamentos no ambiente de trabalho também passaram a sofrer impactos devido à presença constante da tecnologia?
Denize Dutra - Sem dúvida alguma, o impacto positivo é a possibilidade de interação com quem está distante fisicamente e a possibilidade de compartilhamento e construção de soluções em tempo real. De maior organização e acesso aos dados em curto espaço de tempo. Por outro lado, as pessoas se escondem atrás dos e-mails e isto acaba estimulando uma acomodação, pois situações que seriam rapidamente resolvidas com uma conversa informal, um telefonema, acabam sendo postergadas, por uma troca insana de e-mails, onde cada uma acredita que a solução está no outro. Além disto, muitas pessoas acham que se protegendo nas cópias de e-mails estão isentas de qualquer ação. As pessoas trabalham lado a lado e não interagem, se isolam num mundo paralelo, passando e-mails e esperando respostas. Está cada vez mais comum em reuniões de empresas, até mesmo pessoas que deveriam ser exemplos para outras, olham direto para celulares e teclam enquanto o colega apresenta um importante projeto ou informações. As reuniões são feitas para discutir ideias e muitas vezes, não cumprem este papel. Nesses encontros, as pessoas trocam mensagens sobre o que está ocorrendo - não sobre o que acontece na reunião, e não têm coragem de se colocar perante as outras eu estão presente, expondo seus pontos de vista. Temos muitos paradoxos corporativos, onde as pessoas fazem uso absolutamente inadequado da tecnologia, gerando conflitos e ilhas dentro da ambiente de trabalho.

RH - Como a senhora percebe o relacionamento interpessoal na realidade das empresas?
Denize Dutra - Sempre tive muito cuidado com as generalizações. Assim como existem pessoas diferentes, existem ambientes organizacionais diferentes, que afetados por cultura e clima, apresentam melhor ou pior qualidade nas relações interpessoais. Existem empresas que quando você entra já sente um clima receptivo gerado pela boa qualidade das relações. Já em outras organizações, você tem a sensação que está prestes a explodir uma revolução e há, ainda, aquelas que você sente uma total apatia, distanciamento emocional e até medo no ar. Estas empresas me preocupam mais.

RH - Para as organizações, qual a importância dos relacionamentos interpessoais se estabelecerem cada vez mais?
Denize Dutra - No geral acho que o relacionamento interpessoal, ainda que seja um tema antigo, sempre será um desafio para as organizações e pode ser a base de melhores resultados, pois impactam nas relações entre departamentos, na falta de visão sistêmica e certamente isto se reflete na produtividade, na qualidade, na agilidade e na solução de problemas, no engajamento, entre outros fatores.

RH - Como os líderes podem contribuir para que os membros de sua equipe percebam a importância do relacionamento interpessoal?
Denize Dutra - Chefia é autoridade, mas liderança é relacionamento. É exatamente através do relacionamento que o líder influencia, transforma, desenvolve, direciona, apoia. O líder tem que ser exemplo de relacionamento interpessoal saudável. Cabe ao líder estimular um ambiente de confiança, de compartilhamento por meio de uma comunicação clara, para que as pessoas se sintam seguras para interagir. Além disto, o líder precisa saber fazer a leitura do ambiente, para poder intervir adequadamente antes que as situações se agravem.

RH - Quais os benefícios efetivos que o fortalecimento do relacionamento interpessoal traz aos times?
Denize Dutra - Um ambiente sócio emocional saudável, liberdade para expressar ideias, aumento da confiança entre as pessoas, maior colaboração, busca de consenso, senso de pertença, reconhecimento da contribuição individual para os resultados coletivos, bem-estar, pois engajamento e relacionamento harmonioso são dois pontos essenciais para a felicidade. Isto impacta nos resultados da área e da empresa, como já comentei.

RH - Que fatores costumam prejudicar os relacionamentos interpessoais no ambiente de trabalho?
Denize Dutra - De ordem pessoal, a falta de assertividade - posicionamento das pessoas, falta de confiança, inveja, ciúmes, insegurança, timidez, agressividade, egocentrismo, falta de ética, irresponsabilidade e falta de compromisso. Em suma, baixa Inteligência Emocional. De ordem organizacional, podemos citar: cultura organizacional muito punitiva, de busca por culpados, competitiva, falta de alinhamento estratégico, falhas de comunicação, politicas de Gestão de Pessoas que estimulam competição, falta de justiça, chefias autocráticas, abuso de poder e muito outros pontos.

RH - Como os gestores devem agir, para que esses fatores que prejudicam os relacionamentos interpessoais sejam neutralizados?
Denize Dutra - O papel do gestor é exatamente gerir estas variáveis, de forma a evitar ou neutralizar os impactos negativos destes aspectos, muitas vezes inevitáveis. Além da necessidade de elevado quociente emocional para lidar com as questões pessoais dos diferentes membros da equipe, funcionando com articulador e não exacerbando os problemas.

RH - Que ferramentas corporativas podem ser utilizadas para identificar como está a "saúde" dos relacionamentos interpessoais entre os times?
Denize Dutra - Pessoalmente, acho que nenhuma ferramenta substitui a capacidade perceptiva e a empatia do gestor, e para isto ele precisa estar próximo da equipe - ainda que virtualmente, quando for o caso. Identificar o "problema", analisar e intervir de forma adequada é fundamental. A ferramenta mais usada é a pesquisa de clima ou de ambiência. As avaliações de desempenho podem trazer indicadores relevantes sobre o tema. A avaliação de competências, pois todas as organizações podem definir diferentemente esta competência relacionamento interpessoal, mas as empresas sabem que ela é a base de um ambiente positivo. Todos os indicadores do RH e da empresa, especialmente seus resultados, se devidamente analisados, podem identificar potenciais problemas nesta área. Muitas vezes, o relacionamento interpessoal é a causa e em outras pode ser simplesmente o efeito. Mas, sempre ele estará no pano de fundo dos resultados organizacionais.

 

Palavras-chave: | Denize Dutra | equipe | relacionamento interpessoal | tecnologia |

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