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13/09/2016
RH » Criatividade » Entrevista Enviar Comentar Compartilhar Imprimir

O mundo é dos criativos?

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br

A criatividade tem sido apontada como uma das principais competências que fazem o diferencial entre os profissionais que se destacam no mercado. Ao contrário do que muitas pessoas ainda podem imaginar, ser criativo não significa apresentar ideias mirabolantes. De acordo com Martha Terenzzo, diretora da Inova 360º - Consultoria de Gestão de Inovação e Negócios e professora de Inovação e Criatividade, na ESPM, a criatividade faz parte do comportamento humano. "É preciso que as pessoas se predisponham a estudar, ser curiosas, buscar novas formas de resolver problemas antigos. Ter coragem para errar. A empresa não pode punir esses erros e deve ter um limite de projetos que podem fracassar. Faz parte da nova Economia a experimentação com erros e acertos", afirma a especialista, ao ser questionada sobre que fatores contribuem para que a criatividade se faça presente no ambiente organizacional. Em entrevista concedida ao RH.com.br, Martha Terenzzo aborda outras pontos relevantes como, por exemplo, o que faz um profissional torna-se criativo em relação aos seus pares. Confira a entrevista na íntegra e tenha uma agradável leitura!

 

RH.com.br - O que faz um profissional ser considerado criativo em relação aos seus pares?
Martha Terenzzo - Acho que antes de tudo é importante explicar que somos todos criativos, não se trata de dom, ou de associação ao artístico e sim de entender que a criatividade entra em ação quando todos nós temos chances de criar algo novo no ambiente em que estamos. Todos os dias somos desafiados para tal. Portanto, quanto mais possibilidades de criar e coragem para implementar suas ideias, mais criativo você pode ser. E não se trata apenas de ter as ideias, é importante implementar e medir resultados. A realização das ideias levará à inovação

RH - A criatividade sempre está associada a ideias jamais inimagináveis ou mirabolantes como muitos pensam?
Martha Terenzzo - Esse tema ficou mitificado, mas não é nada disso. A criatividade não é só para publicitários, artistas e pessoas geniais. Ao contrário, todos nós temos esse talento, faz parte de nosso comportamento humano. Muitas vezes nossa criatividade é bloqueada, e na escola não somos estimulados a criar o tempo todo. Para ser mais criativo é preciso exercitar aquilo que temos desde nossa infância, a naturalidade de pensar sem as amarras de um adulto. Quando criança, brincávamos, experimentávamos, testávamos sem medo. Hoje nós adultos e nas corporações temos medo de ser rejeitados socialmente, uma das maiores razões de acharmos que não somos criativos e a não arriscarmos tanto.

RH - Em sua opinião, as empresas estão abrindo o devido espaço para gerar ambientes propícios à criatividade dos seus talentos?
Martha Terenzzo - Algumas empresas já nascem na Era da Economia Criativa e, por isso, seus espaços e ambientes são mais propícios e estimulam a criatividade. Algumas dessas novas empresas incentivam seus colaboradores a montar startups e dedicar parte do tempo a novos projetos pessoais. As empresas que ainda não perceberam que isso gera valor de marca para atrair talentos ficarão para trás.

RH - Que fatores contribuem para que a criatividade manifeste-se no profissional?
Martha Terenzzo - Acredito que fatores pessoais somados ao ambiente mais propício. É preciso que as pessoas se predisponham a estudar, ser curiosas, buscar novas formas de resolver problemas antigos. Ter coragem para errar. A empresa não pode punir esses erros e deve ter um limite de projetos que podem fracassar. Faz parte da nova Economia a experimentação com erros e acertos. Recomendo que o profissional que deseja explorar esse lado com mais frequência, faça coisas que não gosta, teste assuntos diversos, aprenda algo novo sempre que puder, seja eternamente um curioso em relação a tudo. E sempre.

RH - O que costuma podar a criatividade no ambiente de trabalho?
Martha Terenzzo - Medo do erro é o principal. A cultura no Brasil é que não podemos fracassar, não podemos falhar. Como inovar sem entender o que deu errado. Aprendi com os japoneses que todo erro gera um novo aprendizado para inovar cada vez mais. Gosto da filosofia de entender o que aprendemos com os erros. Outro problema grave é o objetivo de curto prazo que permeia muitas das empresas. O curtíssimo prazo pode podar a criatividade pois gera poucas opções de ação.

RH - Que ferramentas as empresas têm utilizado, através da área de Gestão de Pessoas, para estimular a criatividade entre os colaboradores?
Martha Terenzzo - Muitas metodologias e ferramentas são usadas ou podem ser usadas, entre elas: Innovation Day, Creative Day, Design Thinking, Storystorm e muitas outras. O ponto principal é não apenas estimular o aprendizado das ferramentas, mas também de mudança de modelo mental. Mindset novo, voltado a criatividade e inovação com resultados deve ser uma meta da área de Gestão de Pessoas. Se a Cultura da empresa ainda não comporta muitas mudanças, a jornada será maior e pode ser feita, mas com mais tempo de implementação.

RH - De que forma o líder pode tornar-se um facilitador da criatividade entre os membros do seu time?
Martha Terenzzo - Em minha opinião todo líder pode ser um facilitador de qualquer habilidade potencial. Ser líder é justamente perceber que há diversidade nas pessoas e aproveitar seus melhores talentos e habilidades para gerar soluções, resolver problemas, inovar. É claro que o líder não pode ser o podador ou aquele que pune a criatividade que não deu certo. Portanto, o líder deve aprender a observar, praticar e gerar esse ambiente que possibilite o crescimento dos seus colaboradores.

RH - A criatividade pode ser mensurada em uma avaliação de desempenho, por exemplo?
Martha Terenzzo - Sim, pode ser mensurada, mas não assim como a criatividade os critérios devem ser claros. As métricas de desempenho para criatividade tendem a ser confusas e geram dupla interpretação. Gosto da medição de desempenho por prática da inovação, ou seja, projetos implementados ou problemas resolvidos num tempo determinado, com um valor "X" com resultado "Y". Escrever a métrica corretamente auxilia a possibilidade de ampliar a criatividade pela empresa, demonstrando que é factível ser mais criativo, não é apenas algo da área de Marketing e Comunicação.

RH - O que você diria às organizações que ainda não estimulam a criatividade dos seus profissionais?
Martha Terenzzo - Corram - o Milênio mudou, tudo que aprendemos há 20 anos tende a ficar obsoleto. A geração que está chegando quer novo ambiente de trabalho, quer fazer parte da mudança e exercer sua criatividade. Por outro lado, nós consumidores ou clientes de empresas queremos empresas e marcas cada vez mais criativas e efetivas para atender nossas demandas diversas.

 

Palavras-chave: | Martha Terenzzo | criativo | aprendizagem | inovação |

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