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01/08/2016
RH » Comunicação » Entrevista Enviar Comentar Compartilhar Imprimir

Aproxime-se dos colaboradores, através da comunicação aberta!

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br

A comunicação não é um processo tão simples como muitos imaginam e envolve vários fatores que influenciam a clareza com que ela chega ao seu receptor. Para se ter uma ideia sobre a importância da comunicação no campo corporativo, ela impacta não apenas na divulgação dos resultados organizacionais, mas também na forma como os colaboradores agem diante daquilo que produzem e entregam à empresa.
De acordo com Gustavo Gomes de Matos, consultor de Comunicação Empresarial e autor de livros sobre ao assunto, dentre eles o mais recente -" Comunicação Aberta - Desenvolvendo a Cultura do Diálogo", Editora Manole, no dia a dia da empresa, a comunicação é capaz de tornar eficaz as mensagens e as ações motivadoras de um propósito de vida. "Infelizmente, a abertura para o diálogo continua sendo negligenciada, tanto nos ambientes empresariais e institucionais quanto nas escolas e na própria família. As consequências imediatas dessa lacuna são os impasses e os conflitos destrutivos nos relacionamentos", alerta o especialista.
Em entrevista concedida ao RH.com.br, Gustavo Gomes de Matos fala sobre os fatores que estão contribuindo para que a falta do diálogo torne-se cada vez mais comum e os impactos que a tecnologia tem proporcionado às relações humanas. Ele abre espaço, ainda, para enfatizar a importância das empresas em abrirem espaço para a comunicação aberta junto aos seus colaboradores. Confira a entrevista na íntegra e tenha uma agradável leitura!


RH.com.br - Recentemente, o senhor chegou ao mercado sua mais nova obra "Comunicação Aberta - Desenvolvendo a Cultura do Diálogo". Qual a proposta que este livro apresenta aos leitores?
Gustavo Gomes de Matos - Em meus livros e artigos sempre busco aproximar teoria e prática. Neste livro, procurei reunir alguns artigos e crônicas que favorecem a reflexão e a aplicabilidade dos princípios básicos da cultura do diálogo. Ele foi estruturado para incentivar gestores e professores a exercitarem a reflexão em grupo, como recurso útil para integrar equipes e formar consciências livres para pensar.

RH - Em seu livro, o senhor abre espaço para a importância do diálogo. A dificuldade de estabelecer um bom diálogo está presente nos mais variados níveis hierárquicos?
Gustavo Gomes de Matos - A falta de diálogo é algo muito presente em todos planos da vida corporativa e pessoal. Encontramos grandes bloqueios tanto para a interlocução, como também para a intralocução, ou seja, no diálogo consigo mesmo. Para conviver bem com os outros, necessitamos nos relacionar bem com nós mesmos. É uma questão de autoconhecimento e estado de espírito. Dialogar é uma arte que aprendemos através do relacionamento humano.

RH - A dificuldade de se estabelecer um bom diálogo estaria sendo prejudicada pelas inúmeras ferramentas oferecidas pela tecnologia e que, de certa forma, distanciam as pessoas? Qual a sua opinião entre tecnologia e relações humanas?
Gustavo Gomes de Matos - O consumo compulsivo de mídias digitais tem levado pessoas e empresas a se relacionarem muito na virtualidade e quase nada na realidade do plano interpessoal. Parece que o hiperconsumo de conteúdos fragmentados na internet e redes sociais tem gerado o perfil de uma população planetária com Distúrbio do Déficit de Atenção (DDA). É uma contradição, mas as pessoas se isolam e ficam ensimesmadas na telinha iluminada dos smartphones. Conforme diz Zyngmunt Bauman, ficam todos conectados pela virtualidade da modernidade líquida. Muita quantidade de informação e pouca qualidade de relacionamentos interpessoais. São muitos compartilhamentos de conteúdos eletrônicos e pouco autoconhecimento e relacionamento humano. Há algo de errado nessa ordem internética. Educadores de um modo geral precisam estar atentos a esses sinais.

RH - O que podemos chamar de comunicação aberta, principalmente quando nos reportamos ao contexto organizacional?
Gustavo Gomes de Matos - Comunicação aberta é a expressão sincera da cultura da empresa baseada nos valores da democracia e dos direitos humanos como: convivência das diferenças, humanização dos relacionamentos, intercâmbio de informações, conhecimentos e sentimentos, cooperação, solidariedade e por aí vai. É pelo caminho da abertura para a comunicação e o relacionamento ético que pessoas e organizações evoluem na contínua superação dos desafios pela sobrevivência e melhoria da qualidade de vida.

RH - A prática da comunicação aberta tem sido bem trabalhada pelas empresas ou ainda será preciso um longo aprendizado?
Gustavo Gomes de Matos - Desde o final dos anos 80, muitas empresas aderiram à concepção da função estratégica da comunicação. Porém, muito pela ótica do controle total da qualidade, as empresas focavam-se mais pelo aspecto das normas, dos procedimentos e dos discursos, do que pela efetividade da abertura de comunicação com os seus clientes externos e internos. Atualmente, influenciadas pelo conceito de governança corporativa, as organizações tentam apresentar-se como canais abertos de transmissão e captação de informações. No entanto, na prática não é bem isso o que acontece. A educação corporativa ainda terá muito trabalho pela frente para internalizar a abertura da comunicação nos corações e mentes das lideranças e corpo funcional das organizações.

RH - Em sua opinião, o que mais compromete a comunicação aberta no dia a dia das organizações?
Gustavo Gomes de Matos - Há uma tendência ainda em se contentar mais com o discurso formal do que com a prática orgânica e real. É muito fácil se autodivulgar como um empreendimento aberto ao diálogo com os stakeholders. No entanto, dirigentes e funcionários comportam-se como células isoladas, separadas pelas paredes do individualismo competitivo, verdadeira fonte geradora de medos, inseguranças e conflitos. Dessa forma, difunde-se muito mais a incomunicabilidade. É um paradoxo angustiante.

RH - Na prática, o que pode e deve ser feito para estimular a comunicação aberta no campo organizacional?
Gustavo Gomes de Matos - Acredito na mudança de cultura pela transformação de atitudes e comportamentos. Através de programas de educação corporativa as empresas podem privilegiar o desenvolvimento de competências comportamentais de comunicação, destacando as relações éticas e de confiança como: saber ouvir, a arte do diálogo franco e aberto, convivência criativa das diferenças e gestão de conflitos pelo relacionamento humano. No entanto, o maior educador é o exemplo. Cabe aos dirigentes e líderes de equipes reforçarem o aprendizado das competências comportamentais no cotidiano de trabalho.

RH - Quando falamos em comunicação aberta nas empresas, a participação da área de RH torna-se relevante nesse processo?
Gustavo Gomes de Matos - Os profissionais de RH são formadores de opinião que devem exercitar continuamente a visão estratégica e humanização dos ambientes de trabalho. Se os dirigentes não se sensibilizaram ainda para a importância dessa perspectiva, cabe ao profissional de RH, com muita habilidade, convence-los dessa necessidade fundamental para a melhoria da qualidade de vida nas empresas. A área de RH pode ser a grande articuladora de um clima de boa vontade e compreensão mútua.

RH - A falta de uma comunicação aberta pode comprometer os valores seja da empresa ou mesmo da própria sociedade?
Gustavo Gomes de Matos - A inabilidade em dialogar e transmitir informações e conhecimentos, afeta diretamente as bases éticas de qualquer tipo de organização. Pessoas, empresas e a sociedade são formadas por seres humanos, que possuem consciência individual e coletiva. E muito mais do que racional, o ser humano é um animal social, que necessita estabelecer relações de confiança para ser feliz. É através da comunicação que essa mágica acontece.

RH - O senhor gostaria de deixar algum recado para os dirigentes corporativos que sentem dificuldade de fomentar uma comunicação aberta junto aos times?
Gustavo Gomes de Matos - Constato muitas manifestações de decepção e frustação da sociedade sobre a falência do nosso projeto civilizatório e modelo de desenvolvimento. Empresas, governos, pessoas e a sociedade precisam ser reinventadas para vislumbrarmos horizontes mais esperançosos. Não será pelos discursos politicamente corretos que mudaremos esse cenário internacional de terror e desumanidades. Mas pela prática da comunicação e do relacionamento com consciência coletiva. Aí seremos capazes de ressignificar palavras e conceitos tão importantes para a coexistência pacífica e construtiva da sociedade. Esse é o sentido da comunicação aberta.

 

Palavras-chave: | Gustavo Gomes de Matos | comunicação interna | aprendizagem |

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