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28/02/2012
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Por que as empresas brasileiras não encontram os profissionais que procuram?

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br

Todos os dias, os canais de comunicação veiculam notícias sobre o mercado de trabalho. Nesse contexto, apresentam-se os dois lados da moeda. No primeiro, encontram-se os trabalhadores que formam filas quilométricas em busca de chance para mostrarem seus valores e garantirem uma vida digna. Do outro, estão as empresas que afirmam enfrentar um sério problema: não encontram profissionais para preencherem as vagas que disponibilizam. Essa situação torna-se conflitante, pois as organizações precisam de profissionais e esses não consegue o tão sonhado emprego. Alguns denominam esse quadro como "apagão de talentos", enquanto que outros preferem referir-se a essa situação como falta de mão de obra especializada para atender às necessidades das organizações. Para falar sobre esse assunto, o RH.com.br entrevistou Jerônimo Mendes consultor e palestrante nas áreas de negócios, empreendedorismo, mudança organizacional, comportamento e mundo corporativo. Para ele, quando a economia está aquecida, o mercado melhora de maneira generalizada e a demanda por mão de obra especializada aumenta. Quem está mais preparado possui mais oportunidades e a lei continua a mesma: a escassez encarece o "produto". "Existem 3,5 milhões de jovens desempregados no Brasil, segundo dados do último censo do IBGE. Das duas uma: ou os jovens não querem trabalhar ou os programas de retenção e qualificação profissional estão equivocados", alerta Jerônimo Mendes. Confira a entrevista na íntegra e tenha uma agradável leitura!


RH.com.br -
A expressão "apagão de talentos" tornou-se tão constante no meio organizacional que, quando surge em determinadas conversas, algumas pessoas preferem mudar de assunto. Isso significa que a preocupação com a falta da mão de obra qualificada perde sua força e deixa de ser uma preocupação para as empresas?
Jerônimo Mendes - Particularmente, não gosto da expressão "apagão de talentos". Prefiro escassez de mão de obra qualificada. Talento todo ser humano dispõe de um, portanto, não deveria faltar. O que acontece é que o mercado está aquecido e isso provoca uma competição mais acirrada por talentos. Em períodos econômicos mais favoráveis, o mercado melhora de maneira generalizada e a demanda por mão de obra especializada aumenta. Quem está mais preparado, naturalmente, tem mais oportunidades e, é óbvio, a lei continua a mesma: a escassez encarece o "produto". Quem tem qualificação procura uma nova oportunidade de melhoria e quem precisa dela, paga melhor. É simples assim.

RH - Pessoalmente, o senhor acredita que existe um apagão de talentos no Brasil ou as empresas não estão sabendo atrair os profissionais que tanto necessitam?
Jerônimo Mendes - Procuro sempre olhar sob dois pontos de vista diferentes: o primeiro é o da competição natural em função da economia aquecida; o segundo é o fato de que as empresas não se preparam para isso. Em geral, elas trabalham no limite. Quando acontece algo inesperado, as empresas não conseguem repor a mão de obra na mesma velocidade. Leva tempo para se qualificar um profissional. Além do mais, poucas empresas trabalham com o conceito puro de RH para o desenvolvimento da mão de obra. Existem 3,5 milhões de jovens desempregados no Brasil, segundo dados do último censo do IBGE. Das duas uma: ou os jovens não querem trabalhar ou os programas de retenção e qualificação profissional estão equivocados.

RH - Investir no treinamento interno não seria uma alternativa de driblar essa falta de profissionais qualificados?
Jerônimo Mendes - O treinamento ajuda, porém, em tempos de economia aquecida torna-se mais difícil retirar os profissionais da linha de frente para qualificá-los, por isso, o treinamento demanda planejamento. Quando o RH é atuante e a empresa prioriza a qualificação interna, o treinamento pode promover excelentes resultados. Entretanto, devemos lembrar que o ser humano é ambicioso e a lealdade já não é mais um atributo a ser considerado na retenção de talentos. É necessário muito mais do que salário para segurar alguém na empresa.

RH -
Em relação aos novos talentos que ingressam no mercado, outra alternativa para as empresas seria ter um pouco mais de paciência com esse público e acreditar mais no potencial dos jovens que não possuem experiência?
Jerônimo Mendes - Infelizmente, as empresas não podem esperar, esse é um problema sério. O ideal seria acreditar no público minimamente qualificado e investir um pouco mais nele. Em empresas de médio e grande porte isso é feito através de programas de trainee, banco de talentos, por exemplo. Empresas de micro e pequeno porte já não podem contar com essa facilidade considerando que o investimento impacta diretamente no custo do produto ou serviço. Contudo, é uma posição que muitas empresas já estão adotando.

RH - Quais os efeitos que o apagão de talentos traz para as organizações e, consequentemente, para a economia nacional?
Jerônimo Mendes - Todos perdem. Os profissionais perdem a oportunidade de se recolocar e progredir; as empresas, de produzir e lucrar mais; os governos, de arrecadar mais.


RH -
Esse quadro de falta de mão de obra qualificada ainda vai durar por muito tempo?
Jerônimo Mendes - Esse fenômeno é cíclico, ocorre de tempos em tempos. Note que em alguns períodos, quando o mercado está aquecido, falta mão de obra qualificada. Em outros tempos, existe excesso de mão de obra qualificada e não é possível absorver todo o efetivo. Temos a Copa Mundial em 2014 e as Olimpíadas em 2016 e isso vai gerar ainda mais escassez. Além do mais, o Brasil é um dos poucos países do mundo com chances promissoras de crescimento, portanto, não existe sinal de que a competição diminua. O inverso é verdadeiro, portanto, quanto mais cedo as empresas se preocuparem com isso, melhor.

RH - Quando se fala em contratação de talentos, automaticamente nos reportamos à atuação do profissional de Recursos Humanos. Essa é a "hora e a vez do RH" fincar suas raízes como integrante das estratégias organizacionais?
Jerônimo Mendes - Para suprir essa deficiência, as empresas precisam de um RH mais atuante e menos operacional. É o que se chama de RH estratégico. Empresas que não priorizam a qualificação da mão de obra interna e o desenvolvimento da mão de obra futura não podem reclamar. Apesar de toda a tecnologia disponível, o recurso mais importante continua sendo o ser humano. Quando se trata do operacional, mais voltado para a produção, concordo que o problema é generalizado, entretanto, em cargos e funções intermediárias e também em nível de liderança, é possível desenvolver um bom trabalho interno para evitar a escassez. Na prática, as empresas reclamam da escassez, mas não fazem nada para mudar a realidade em que se encontram.

RH - Por que a atuação da área de RH fará o diferencial, num momento em que a escassez de talentos evidencia-se de uma forma tão expressiva?
Jerônimo Mendes - Em entrevista anterior ao RH.com.br, eu afirmei que sou um defensor incondicional da área de Recursos Humanos. Eu prefiro RH em vez de DP que é sempre pejorativo. Na minha modesta opinião, o RH nunca perdeu a sua importância estratégia. O que acontece é que em algumas empresas, o RH tem mais importância e em outras, menos. Em momentos de escassez é que se nota a diferença entre ser um RH ou um DP. Quando se eleva a importância do RH, as coisas fluem naturalmente, principalmente quando você tem um líder efetivo na área, entretanto, não basta mudar a sigla da área, é preciso conceder autoridade e responsabilidade para que as coisas aconteçam de fato.


RH - O que o senhor sugere para o gestor de RH melhorar essa situação dentro da empresa?
Jerônimo Mendes - Encare o problema de frente e pare de carregar a empresa nas costas. Prepare um plano de ação específico para apresentar à diretoria e o coloque em prática. Nenhum problema se resolve sem ações concretas, de acordo com o tratamento que o problema merece.

RH - Qual a mensagem que o senhor deixa para os profissionais de RH que têm a oportunidade de consolidar a contribuição da área para o mundo dos negócios?
Jerônimo Mendes - Quanto mais operacional você for, menos estratégico você será. Pensar com cabeça de RH significa ir além da burocracia. Em tempos de competição acirrada por mão de obra específica e qualificada, o RH é vital para as organizações. Planejar o futuro ainda continua sendo a melhor forma de evitar a escassez de mão de obra qualificada. Aliás, há um provérbio chinês que também vale para o RH: "quem não sabe para onde vai, qualquer lugar serve", portanto pense nisso e aja diferente.

 

Palavras-chave: | Jerônimo Mendes | talento | mercado de trabalho |

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COMENTÁRIOS (13)
Dario Jose em 07/10/2013:
A grande mentira do momento e que falta profissional capacitados, na verdade o que está faltando é Profissional de RH que seja capaz de ver as qualidade de uma pessoa. Os profissionais do setor de RH só querem saber se a pessoa tem experiência e fica inventando história que falta capacitação. Se os profissionais de RH fossem mais humano, não teriam problemas em arrumarem talentos para as empresas.

Andre Gessner em 04/09/2012:
Faço Gestão de RH e achei muito interessante este artigo. Já li sobre o assunto, mas ainda não tinha lido sobre esse aspecto. Parabéns!

Regina em 02/06/2012:
Tenho o curso de Tec. Segurança do Trabalho, não estou trabalhando na área e estou desempregada. Moro em Belo Horinte-MG. Eu estava fazendo gestão de Rh, mas não pude continuar por falta de um emprego para pagar uma faculdade. As empresas de Rh estão com muita dificuldade realmente de encontrar pessoas qualificadas no mercado de trabalho. É muito importante para o Rh. Temos que ter mais treinamento e trabalhar em equipe.

João Gabriel em 25/03/2012:
Muito boa essa entrevista. Gostaria de saber a opinião dos consultores sobre a atuação do RH no serviço público, seria um tema bacana, pois deixei minha faculdade de RH para trabalhar como servidor. O que eles teriam a dizer sobre as oportunidades que a carreira pública pode oferecer aos jovens e outros profissionais que estão à procura de um emprego?

Emanuella Almeida em 06/03/2012:
Parei para pensar no provérbio que finaliza a entrevista e de fato acontece muito. Parabéns.

susana em 03/03/2012:
Qual a forma para acabar com a falta de oportunidades para o Jovem que deseja adquirir experiência e não consegue. Acredito que todas as empresas, sejam elas de grande ou pequeno porte, deveriam destinar uma vaga para estes jovens que precisam de uma oportunidade, não acham?

Rozélio Romão em 02/03/2012:
Muito feliz a colocação do entrevistado de que as pessoas do RH têm de sair do operacional e atuar no estratégico. Divido o principio de que o papel mais importante desta área é fornecer apoio e subsídios para que as empresas atinjam seus objetivos estratégicos através do recrutamento, administração, treinamento, realização de planos de retenção e descoberta de pessoas talentosas. Estas ações juntamente com uma gestão que propicie o alinhamento dos objetivos individuais e departamentais com as metas almejadas, permitirão a manutenção destas pessoas, que é o ativo mais importante das empresas, pois são elas que fazem com que as coisas realmente aconteçam.

Prof. Vanderlei em 01/03/2012:
Excelente sua entrevista, tanto que, estou enviando para meus alunos de RH via e-mail

Fatima Trinchão em 29/02/2012:
Excelente entrevista do Sr Jerônimo Mendes. Ele aborda o tema qualificação com muita propriedade. Faço minhas suas palavras. Acredito que na atual conjuntura, o investimento nas competências é que vai determinar uma vantagem competitiva duradoura. As transformações no contexto de trabalho, bem como as novas tecnologias e o novo formato das organizações, induzem um nível de profissionalismo cada vez mais elevado tornando-se prioritário a necessidade de treinamento.

Ronaldo Ribeiro da Silva em 29/02/2012:
O tema abordado é super importante dentro de uma empresa seja ela médio porte ou de grande porte. Temos que atuar mais junto aos contratatados, devemos te diferenciais em palestra, campanhas motivacionais e premiações. Enfim, a empresa necessita de um diferencial para reter toda dificuldade que venha futuramente ocorrer.

Roberta Lopes em 29/02/2012:
Excelente e bem oportuno! Sou formada em RH, Especialista em Estratégia e Gestão Empresarial e estou vivenciando isso atualmente. As empresas penam para encontrar alguém com experiência e formação, principalmente para liderar suas equipes. Mas quando encontram alguém, não estão disponíveis a pagar!

Luis Forti em 29/02/2012:
Bom dia. Matéria muito interessante que retrata a urgência em retenção de talentos pelas empresas. Tem-se que valorizar os profissionais que realmente agregam valor ao negócio da empresa. Sds., Luis Forti.

Cátia Ortigara Valcarenghi em 29/02/2012:
Parabéns! A reportagem faz uma reflexão muito importante para o futuro do Profissional de RH. Fiz uma autoavaliação e a reportagem me ajudou bastante!

 
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